02/03/2008 11:12
COLUNA DOMINICAL
Ok, vamos ver se conseguimos reconstituir os fatos.
Adriano estava se divertindo, às 4h45 da manhã de sexta-feira, quando soube que um amigo havia batido seu carro na esquina da Rua Pamplona com a Avenida Paulista, em São Paulo.
Este teria sido o motivo de seu atraso de 28 minutos ao treino do São Paulo, marcado para começar às 9 da manhã (para não sermos injustos, Hugo e Borges também chegaram atrasados).
No Centro de Treinamentos, Adriano reclamou dos exercícios que haviam sido programados para ele, desrespeitou funcionários do clube, e resolveu ir embora.
Já de saída, mas ainda dentro do CT, ameaçou agredir um fotógrafo, e foi contido pelo superintendente de futebol Marco Aurélio Cunha.
Estamos de acordo com os fatos?
Muito bem. Direto para a manhã de ontem, então.
O presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio, foi ao CT para ter uma conversa com Adriano.
Comunicou a ele, oficialmente, que seus atos de indisciplina lhe custaram uma multa de 40% do salário, e que ele teria de corrigir seu comportamento.
Em entrevista coletiva, o atacante emprestado pela Internazionale de Milão resumiu o episódio com a seguinte declaração:
"Quando eu cheguei (ao São Paulo), falei que talvez não seria o ideal me chamar de Imperador. Mas agora eu acho que tenho de ser chamado assim. Eu sou o Imperador e mereço ter esse nome porque eu ralei muito para conquistar o que eu conquistei. E vocês (imprensa) não vão destruir isso."
Não sei exatamente a que Adriano se refere quando diz "...ralei muito para conquistar o que conquistei", mas vá lá.
Ele é um jogador reconhecido (bem ou mal) internacionalmente, atuou na Itália, jogou Copa do Mundo, hoje está num dos principais clubes brasileiros.
Não é pouco.
Mas o que ele fez até agora, neste período de "desintoxicação futebolística", é bem pouco.
Quatro gols em onze jogos.
Adriano acha que suas atitudes só têm repercussão porque ele é quem é.
Deveria saber que caras com os problemas dele, e que não se chamam Adriano, vão resolvê-los em Cotia, treinando com os garotos das categorias de base.
Adriano deveria estar agradecido. E envergonhado.
E preocupado com o que seus atuais companheiros pensam dele.
E falam dele.
Dizer que nossos erros são culpa dos outros é garantia de continuar a cometê-los.
A transferência de responsabilidade é companheira da incompetência.
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Só mais uma coisa: as pessoas que criaram o apelido "Imperador" são as mesmas que, ontem, afirmaram que Adriano era um "caso perdido".
A imprensa italiana.
A propósito, você sabe o que Naomi Campbell comeu hoje no café-da-manhã?
Não???!!!
Ah, você não está interessado(a) na vida de Naomi Campbell?
Ótimo. Eu também não estou.
Veja os gols que
Ronaldinho e
Robinho marcaram ontem na rodada do Campeonato Espanhol.
Parece fácil.
Diga-me: é muito difícil entender por que um árbitro de futebol não pode, ao mesmo tempo, apitar jogos e ser funcionário de um treinador?
Porque, se for realmente difícil, o problema é mais grave do que se imaginava.
Logo mais, no Morumbi, um time da Série A enfrentará um time da Série B.
O encontro já aconteceu, entre os mesmos times, em posições inversas.
Semifinais do Campeonato Paulista de 2003.
E foi o time da Segunda Divisão que abriu 2 x 0. O da Primeira teve de buscar o empate.
Só para lembrar.
Nesta semana, um preso fugiu pela porta da frente da cadeia em São Paulo.
Foi resgatado por dois policiais, que o levaram numa viatura.
Era tudo mentira.
O carro era clonado, os policiais eram bandidos, o documento que autorizava a soltura era falsificado, a delegacia para onde o preso seria levado não existia.
A bandidagem aplicou uma pegadinha no sistema prisional.
Li no jornal a declaração de um policial de "que foi uma operação muito bem feita".
Ah, bom. Fiquei mais tranquilo.
Amanhã é aniversário do Zico.
Cinquenta e cinco anos.
Parabéns a um ídolo de verdade.
enviada por André Kfouri
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(O que é isso?)