BLOGOL Kfouri
09/03/2008 13:11

COLUNA DOMINICAL

Os simpáticos velhinhos da International Board (é assim que os imagino, pois há mais registros fotográficos do Chupa-cabra e do Pé-grande do que dos responsáveis pelas regras do futebol) tomaram uma decisão importante em seu último encontro, realizado em Gleneagles, na Escócia.

Estão encerradas todas as experiências com a eletrônica no futebol.

Bola com chip, uso de câmeras na linha do gol, replay instantâneo... esqueça.

O presidente da Fifa, Joseph Blatter, apoiou a medida, concordando com o que disse o secretário-geral da Federação Galesa de Futebol, David Collins: "É um jogo feito por seres humanos, com um jeito humano. Achamos que o uso de tecnologia iria alterar a dinâmica do jogo".

Ele está absolutamente certo. O uso da tecnologia iria, sim, alterar a dinâmica do jogo.

Só que para melhor, pois é exatamente o que o jogo precisa.

Ao recusar terminantemente qualquer influência da eletrônica, a arbitragem de futebol se transforma num morto-vivo. Um defunto que fala, caminha e apita.

Talvez seja a única área de atividade humana que, apesar de todos os avanços tecnológicos disponíveis, prefere não evoluir.

Já imaginou se a medicina fosse assim?

Pense na cena: "Aqui está, doutores, uma nova técnica para desobstruir coágulos. Trata-se de uma micro-câmera que entra na veia e auxilia na limpeza da área obstruída. Vocês poderão acompanhar as imagens naquele monitor".

E a resposta dos cirurgiões: "Não, obrigado. Preferimos continuar com as amputações".

É o equivalente a rejeitar o e-mail, e usar o pombo-correio.

O retrocesso da International Board foi anunciado na mesma semana em que o árbitro alemão Markus Merk, um dos melhores do mundo, redigiu um documento de 30 páginas para a federação de seu país, defendendo o uso da eletrônica para auxiliar a arbitragem.

As idéias de Merk são boas, mas não serão postas em prática nem na Alemanha e nem em qualquer outro lugar do mundo.

Porque os velhinhos não querem.

Aliás, algumas sugestões propostas pelo árbitro alemão são parecidas com as que este humilde blogueiro publicou em duas Colunas Dominicais há cerca de um ano, neste Blogol.

Elas estão aqui, e aqui.

Se você não leu à época, dê uma olhada e diga o que acha.

Infelizmente, o assunto não deixará o mundo virtual.

A decisão da International Board, em nome da "pureza do futebol", continuará a produzir injustiças e erros.

Gols, jogos e títulos decididos por marcações equivocadas.

Também continuará a alimentar a opinião de quem acha que os árbitros, em todos os níveis do futebol profissional, estão sempre a serviço de alguém.

******

Amanhã é um dia para estar em Nova Iorque.

Bom, qualquer dia é dia...

Mas amanhã à noite, Pete Sampras e Roger Federer se enfrentarão no Madison Square Garden.

Para quem gosta de programas que incluem evento esportivo e um ótimo jantar, é difícil bater esta segunda-feira em Manhattan.

Não sei como resolver o problema dos brasileiros barrados injustamente nos aeroportos europeus.

Mas sei que fazer a mesma coisa com turistas europeus, nos nossos aeroportos, é infantil e inócuo.

O brasieiro Rodrigo Taddei, autor de um belo gol de cabeça na vitória da Roma que eliminou o Real Madrid da Liga dos Campeões, não recebeu apenas uma sondagem para jogar na Seleção Italiana.

Foram três.

A primeira, pouco antes da Copa de 2006, por Marcello Lippi. A segunda, no fim do ano passado, por Roberto Donadoni.

E a última, na terça-feira passada, quando o técnico da Azzurra visitou o hotel onde o time romano estava concentrado em Milão.

Taddei agradeceu mais uma vez, mas disse que a Seleção Brasileira é seu sonho.

Depois de ofensas e ameaças, Álvaro Uribe e Rafael Correa apertaram as mãos. Hugo Chávez era só sorrisos no papel de grande conciliador.

Como seria bom saber quais foram os acordos que não constam no documento que pôs fim à crise entre Colômbia, Equador e Venezuela.

É impressão minha ou seria sensacional se o Fenerbahçe ganhasse a Champions League deste ano?

A cidade de São Paulo viveu uma semana de trânsito insuportável.

Mas o maior problema não é o tempo que se perde, os compromissos que não se cumprem ou a certeza de que ficará pior.

É o comportamento das pessoas, que acham que só elas são vítimas do congestionamento.

Na maioria dos casos, estão ao volante dos melhores carros.

Quinto mundo.


enviada por André Kfouri






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