03/02/2008 13:23
COLUNA DOMINICAL
Para quem acha que o futebol brasileiro vive das mesmas coisas feitas, vistas, ditas e escritas, todos os dias, aqui está algo novo: acabou a concentração no Botafogo.
Não essa concentração,
aquela concentração.
Agora, em vésperas de jogos, os atletas podem dormir onde quiserem. Devem se apresentar para almoçar em grupo.
É até surpreendente que o paranaense Cuca, cuja carreira como jogador foi marcada pelo disciplinado e disciplinador futebol gaúcho, seja o autor da "alforria" dos boleiros, em pleno século 21.
E pode até ser que a idéia não tenha sido dele. Mas, como técnico do Botafogo, ele autorizou.
Cuca não começou ontem. Jogou bola profissionalmente por doze anos, é treinador há nove. São mais de duas décadas de imersão nos interessantíssimos bastidores do dia-a-dia dos clubes.
Ele deve saber o que está fazendo, e essa é a melhor notícia.
Não estou aqui querendo que você acredite que o jogador brasileiro de futebol atingiu um nível tão alto de profissionalismo, que faz com que este momento seja o começo do fim do paternalismo que o cerca.
Eu sei que a realidade não é essa.
Mas não há como não gostar de ver um treinador, um
professor, mostrar tamanha confiança em seu grupo, a ponto de dispensá-lo de uma instituição do nosso futebol.
Também não acredito que
todos os jogadores do Botafogo se comportarão exemplarmente, agora que têm algumas horas livres antes de um compromisso de trabalho. Haverá os que se lambuzarão, saibamos ou não.
Mas gosto de pensar que estes serão enquadrados pelos que sabem usar o "benefício" em nome do grupo.
E isso, amigos, é o que chamamos de "time".
Ontem o Botafogo venceu o Vasco por 3 x 2, no jogo que foi, de longe, o melhor do dia nos campeonatos estaduais.
O time de Cuca fez dois a zero no primeiro tempo, levou um gol e teve um jogador expulso nos primeiros minutos do segundo. Aí sofreu o empate.
Venceu assim mesmo.
Flamengo e Fluminense parecem melhores, no papel, e certamente têm mais destaques individuais. Mas neste começo de temporada no Rio de Janeiro, ninguém está jogando melhor, coletivamente, do que o Botafogo.
Ninguém fez mais gols, também.
É provável que a cabeça ruim tenha sido uma das causas do colapso do alvinegro no segundo turno do Campeonato Brasileiro do ano passado.
A medida tomada por Cuca nesta semana pode ser um sinal de mudança.
E de repente, quando alguém repetir aquela velha frase que diz que "algumas coisas só acontecem com o Botafogo", poderá estar falando de uma coisa boa.
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A ministra da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, não é mais ministra.
Falamos aqui na semana passada de seus gastos pessoais (R$ 461,16 no Duty Free) pagos com o cartão de crédito corporativo do governo.
Matilde Ribeiro entregou o cargo anteontem, exclusivamente porque seu uso do dinheiro do contribuinte foi descoberto.
O cartão dela já estava com a tarja magnética gasta. Segundo a Controladoria-Geral da União, é o campeão de uso entre os ministros, com despesas no valor de R$ 171 mil em 2007.
Mas ela não é a única sob investigação da CGU. Em instantes, mais ministros que adoram perguntar se "a maquininha do cartão vem à mesa?"
Hoje à noite tem Super Bowl, New England Patriots x New York Giants, às 21h30 de Brasília.
Transmissão da BandSports.
Você estará vendo os desfiles?
David Beckham está a um jogo de completar 100 aparições com a camisa da Seleção Inglesa.
Sabemos que a centésima partida do rapaz não será o amistoso do próximo dia 6, contra a Suíça, em Wembley.
Fabio Capello não o convocou, o que deixou muita gente satisfeita na Inglaterra.
Gente que não quer vê-lo na companhia de Bobby Charlton e Bobby Moore, que vestiram a camisa da rainha mais de uma centena de vezes.
Ok, de volta aos movimentados cartões de crédito ministeriais.
O ministro da Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca, Altemir Gregolin, também está na lista da CGU: R$ 22.652,65.
E o nosso ministro do Esporte, Orlando Silva, que convocou uma coletiva de imprensa ontem, em São Paulo, para dizer que devolveu aos cofres públicos os R$ 30.870,38 que gastou com seu cartão corporativo em 2006 e 2007.
Silva usou o cartão para pagar uma conta de R$ 8,30 numa tapiocaria de Brasília. Também assinou uma fatura de R$ 468,05 no Bela Sintra, e outra de R$ 217,80 no Le Vin Bistro, renomados restaurantes paulistanos.
Não gosto de tapioca (falha minha), mas conheço os dois restaurantes visitados pelo ministro.
E não me sinto nada bem ao pagar suas deliciosas refeições, sem ter sido convidado, pelo menos, para experimentar a sobremesa.
O contrato de Muricy Ramalho foi estendido até dezembro de 2009.
Bom para ele, que merece.
Ruim para aquelas sábias vozes que o queriam demitido no meio do Brasileiro do ano passado.
É, o campeonato que o São Paulo ganhou uns três meses antes do fim.
Muricy apertou a tecla MUTE desses caras, e sumiu com o controle remoto.
Aliás, tem diretor de marketing e diretor jurídico de clube grande paulista precisando desesperadamente da tecla MUTE.
Bom fim de carnaval.
enviada por André Kfouri
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