17/02/2008 15:22
COLUNA DOMINICAL
Apenas doze dias separam dois grandes ídolos do esporte brasileiro.
Guga e Ronaldo.
O primeiro nasceu em Florianópolis, em 10 de setembro de 1976. O segundo, no Rio de Janeiro, no dia 22 do mesmo mês e do mesmo ano.
Quem poderia imaginar?
Apenas dois dias os separaram na semana que passou.
Guga emocionou o Brasil da maneira oposta à que estávamos acostumados, ao não conseguir vencer as dores, o argentino Carlos Berlocq e as lágrimas, na terça-feira.
Ronaldo assustou o Brasil da maneira como já tínhamos visto, ao não conseguir permanecer em pé logo após entrar em campo, no segundo tempo do jogo contra o Livorno, na quinta.
Guga na Bahia, Ronaldo em Milão.
O quadril, antigo adversário, finalmente derrotou o tenista. O joelho, constante ameaça, outra vez derrubou o artilheiro.
De Guga, vimos o esforço, percebemos a limitação, imitamos as expressões, lamentamos testemunhar o fim de uma caminhada que só merece palmas.
E sentimos, no momento em que ouvíamos as desculpas que ele não nos deve, a mesma dificuldade em falar.
De Ronaldo, vimos a queda, sentimos o frio na espinha, voltamos ao ano 2000, tememos pela falha de outro tendão que não suportou carregá-lo.
E soubemos, assim que percebemos as mãos no joelho e a face da dor em seu rosto, que o drama se repetia.
Guga, é público, está dizendo adeus. Cada jogo neste ano será um dos últimos, até o derradeiro em Roland Garros, terreno que o define como esportista e deve lhe prestar uma homenagem irretocável e inesquecível.
Ronaldo, também é público, está nos primeiros dias de uma recuperação que terá meses e meses, até que a real situação de sua carreira fique mais clara.
Mas as homenagens a ele já devem estar em modo de espera.
Eles nasceram no mesmo ano, no mesmo mês, separados por doze dias.
Um dedicou-se a estufar a rede, o outro a evitá-la.
Dois caminhos que começaram praticamente juntos, e atingiram o que há de mais alto, podem ter chegado ao fim, na mesma semana.
Separados por dois dias.
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O técnico de natação Eugênio Miranda diz que processará a mãe de Joanna Maranhão.
É sua única opção.
Não fazê-lo seria o equivalente a assumir a culpa, confessar que molestou sexualmente a nadadora, quando ela tinha nove anos.
Mas se Miranda realmente pretende ir à Justiça, que o faça porque é inocente, e não porque é sua única opção.
Pois já existe uma segunda denúncia contra ele, feita por outra nadadora pernambucana.
E talvez haja mais.
Na próxima vez em que alguém disser que "técnico depende de resultados", duvide.
Vagner Mancini foi demitido pelo Grêmio após quatro vitórias e dois empates.
O clube precisa de alguém "mais experiente", disse um cartola, sem explicar por que, então, contratou Mancini.
"Tropa de Elite" ganhou o Urso de Ouro no Festival de Cinema de Berlim, e agora é oficialmente um sucesso internacional.
Como é que vão traduzir a frase "o senhor é um fanfarrão!"?
Eu adoro, simplesmente adoro saber que o Brasil está investindo seriamente na construção de um submarino nuclear.
Até 2025, com muita dedicação e um gasto de 1,4 bilhão de dólares, chegaremos lá.
Afinal, somos uma sociedade sem problemas e precisamos defender nossos mares dos inimigos nacionais, que há séculos planejam nos atacar.
Mas o que mais me impressionou foi o comentário do nosso ministro da Defesa, Nelson Jobim, sobre sua viagem à Rússia, para tratar do assunto.
Jobim disse que não teve "fluidez na conversa" com os russos, por causa de dificuldades com o idioma.
Uau. Fico imaginando como o Comitê Olímpico Internacional tem se entendido com os chineses, ao tratar de Pequim 2008...
Somos um país absolutamente ridículo.
Só há uma explicação para a absolvição de Romário pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva.
O STJD não liga para o que está escrito no Código Mundial Antidopagem.
Romário foi negligente ao usar um remédio (para calvície) que contém uma substância proibida, por isso deveria ser suspenso.
Não tenho nenhuma dúvida de que ele não teve intenção de se dopar, mas a questão não é essa.
No esporte brasileiro, e fora dele, leis são apenas sugestões.
Prepare-se.
Vem aí um "reality show" sobre os últimos dias de vida de pacientes terminais.
Não estou brincando.
Para baixo, a escada não tem fim.
enviada por André Kfouri
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(O que é isso?)