13/02/2008 10:31
1.21 GIGAWATTS
Da coluna de Tostão, publicada hoje na Folha de S. Paulo e em muitos outros jornais brasileiros:
"A imagem de Gerson andando com a bola em um jogo da Copa de 1970, antes de dar um passe espetacular para um dos gols do Brasil, se tornou referência do futebol lento do passado e de como se deve se dar um passe longo e preciso. O futebol era mais lento que o de hoje, mas não era tão lento como dizem, nem o Gerson era apenas excepcional nos passes longos. Era um armador completo."
"Gerson andava também com a bola porque os times marcavam mais atrás, para fechar os espaços perto da área. A Seleção Brasileira de 1970 fazia o mesmo. Hoje, com exceção dos times pequenos e dos que não sabem jogar futebol, como a Irlanda contra o Brasil, pressionam o jogador que tem a bola no meio-campo. Isso dificultou bastante para os armadores e é uma das razões de se ter poucos excepcionais meias.
Se Gerson jogasse hoje, seria o mesmo craque, atuando como um segundo volante, que tem mais liberdade para iniciar as jogadas e para dar um bom passe. Ele jogava mais ou menos assim na Seleção de 1970. Gerson seria hoje um Pirlo (o melhor dos volantes), muito melhorado."
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O que faz de Tostão um colunista obrigatório é o encontro entre sua capacidade de se comunicar e sua experiência dentro do campo.
Mas há um bônus que o coloca num patamar em que eu acho que ele não tem companhia.
Talvez você concorde comigo.
Tostão não só jogou, como foi um jogador extraordinário.
E ele não foi apenas um dos grandes de sua época. Tostão fez parte do topo da pirâmide de uma geração monárquica na história do futebol, a que formou a Seleção Brasileira da Copa de 70.
Enquanto o mundo se encantava com o mais fantástico time que já pisou num gramado, Tostão estava
dentro do gramado.
Podemos classificar suas opiniões sobre o futebol daquela época como "informação privilegiada", algo que é proibido por lei no mercado financeiro, mas felizmente não sofre restrições nos debates futebolísticos.
Não se trata da opinião de alguém que viu, é o relato de alguém que fez.
E o que torna o trabalho de Tostão como colunista ainda mais interessante é que aquela época, aquele time, são constantemente usados em comparações que viajam pelo tempo.
Ainda que comparar eras seja tão perigoso quanto fazer afirmações definitivas.
Eu não vi o time de 70, além, é claro, do que existe em vídeo sobre a Copa do México.
Será o meu primeiro destino no dia em que o De Lorean de Marty McFly estiver disponível nas concessionárias.
Mas concordo com todas as palavras que Tostão escreveu hoje, sobre o transplante de craques de ontem para o futebol atual.
O que passa pela minha cabeça quando esse assunto volta ao debate (tomara que um dia Tostão escreva sobre isso) é o caminho contrário: quem é craque, hoje, jogaria no passado?
Quais são os jogadores celebrados hoje em dia, no mundo inteiro, que seriam titulares na Seleção Brasileira de 1970?
enviada por André Kfouri
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