BLOGOL Kfouri
10/12/2007 20:41

PUNIÇÃO EXEMPLAR

Por favor, não entenda este post como um aplauso ao "modo americano de viver". O tema e o propósito são outros.

Os Estados Unidos certamente têm defeitos, compreendo e não discuto com quem não quer pôr os pés lá, ainda que não seja o meu caso.

De novo, o tema não é esse.

O tema é o anúncio da condenação de um dos mais bem pagos atletas da história, por envolver-se num negócio de briga de cachorros.

O nome é Michael Vick.

Se você não tem nenhum relacionamento com futebol americano, provavelmente nunca ouviu falar dele.

Se tem, por menor que seja, certamente já ouviu.

Até abril deste ano, Vick era quarterback do Atlanta Falcons. Estava no terceiro ano de um contrato de dez temporadas, que o transformou no jogador mais bem pago do esporte americano (em dezembro de 2004, quando o contrato foi assinado).

Cento e trinta milhões de dólares.

Os Falcons decidiram construir um time campeão em torno de sua habilidade de correr com a bola e lançá-la com o braço esquerdo.

Sete meses atrás, o FBI descobriu a participação de Vick numa quadrilha que botava pit-bulls para se matarem diante de pessoas obviamente perturbadas.

Alguns sócios de Vick foram presos e contaram o que sabiam às autoridades. Detalhes sobre como os cachorros que eram considerados "despreparados" para as brigas eram mortos por afogamento, enforcamento, pancadas com tacos de beisebol na cabeça, ou simplesmente seguros pelas pernas traseiras e arremessados ao chão.

Coisa fina.

Numa mansão do jogador perto de Atlanta, a polícia encontrou tudo o que é necessário para preparar e "cuidar" de cachorros de briga. Esteiras para mantê-los em forma, anabolizantes para ficarem musculosos, medicamentos para tratar os ferimentos.

Vick alegou inocência, negou tudo. Mas à medida em que o caso contra ele se fortaleceu, resolveu cooperar com a Justiça.

Em agosto, declarou-se culpado. Desde então, em vez de mostrar-se arrependido, foi pego usando drogas, mentiu para a polícia sobre o assunto, e não passou num teste de detetor de mentiras.

Um juíz chamado Henry Hudson, tido como um casca-grossa em casos desta natureza, o condenou nesta segunda-feira a 23 meses na cadeia.

Se sair da prisão por bom comportamento, Vick reencontrará a liberdade em outubro de 2009.

A NFL já o havia suspendido indefinidamente, sem pagamento. O Atlanta Falcons foi à justiça para receber de volta 20 dos 37 milhões de dólares que pagou como bônus pela assinatura do contrato. Todos os patrocinadores pessoais de Vick encerraram seus relacionamentos com ele.

O que mais me impressiona nesta história é que o período entre a operação policial e a condenação não passou de sete meses. E não se esqueça que este não é um caso de homicídio, sequestro, tráfico de drogas.

Você acha que, aqui no Brasil, um cara famoso e milionário, mesmo culpado, iria em cana?

E você acha que, nos Estados Unidos, um cara que gosta de organizar brigas de cachorros está otimista com relação ao futuro dos negócios?


enviada por André Kfouri






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