15/12/2007 12:04
CAIXA-POSTAL
Você está aí?
Então vamos resolver isso logo.
Aos temas:
Marco Aurélio escreve: Falando em vôlei, você não acha que a declaração de Ricardinho (ou seria falha da sua esposa?!) pegou muito mal pra ele? Acredito que ele tenha sido um dos maiores da história do esporte, talvez ele e o soviético Zaitsev apenas. Mas seu estrelismo está passando dos limites e agora, com o crescimento de Marcelinho, as coisas estão ficando piores. Se ele for naturalizado italiano, perde Pequim, pois terá que ficar dois anos sem jogar por seleção alguma. Depois de liberado, ainda tem que treinar muito com sua seleção para os gringos de adaptarem ao jogo dele, e isso leva tempo. Em Londres ele já terá 37 anos e talvez esteja velho para a função. Parece que só ele tem a perder com isso. Não acha?
Resposta: Vamos por partes. Primeiro, a naturalização: Ricardinho está obtendo a cidadania italiana por motivos profissionais. A partir de 2008/09, o número de jogadores estrangeiros nos times italianos poderá diminuir para dois. Na medida do possível, as equipes estão incentivando a dupla-cidadania de seus estrangeiros, caso parecido com o dos jogadores de futebol na Europa. Ricardinho terá passaporte italiano, e não ocupará a vaga de um não-comunitário em seu clube, o Modena. Isso significa que, se ele quiser abandonar a Seleção Brasileira, meio passo já foi dado? Sim. Significa que ele decidiu fazer isso? Não. Agora, a declaração de Fabiane, mulher dele: um dia depois de dar uma entrevista ao jornal gaúcho Zero Hora, e dizer que o marido "não joga mais pela Seleção Brasileira", Fabiane afirmou que a frase não foi interpretada corretamente, que quis dizer que Ricardinho "não está jogando pela Seleção Brasileira". Se ela revelou um segredo sobre os planos dele, ou se realmente expressou-se mal, não sabemos. Por último, a resposta para a sua pergunta: abandonar a Seleção Brasileira, uma ousadia, é também um direito de Ricardinho, como seria de qualquer outro jogador. Há regras para quem quer fazer isso, como você mencionou. Esportivamente, seria ruim pra ele, por perder uma Olimpíada e a chance real de mais uma medalha de ouro. Mas essa é uma decisão pessoal, que não deve ser questionada. Se ele pudesse jogar em Pequim pela Itália, aí a coisa ficaria interessante, pelo upgrade no sempre forte time italiano. Quero apenas reforçar que, como é o caso em
todas as polêmicas como essa, sabemos muuuuuuuuito pouco sobre o que realmente aconteceu. Por isso é perigoso julgar as pessoas.
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Adriano escreve: Você tem palpite para a decisão do Mundial de Clubes?
Resposta: Não. O Milan é mais time, mas o fuso-horário tem travado as pernas dos europeus no segudo jogo do torneio. Fora isso, nunca se pode subestimar os sul-americanos neste tipo de jogo, como já vimos várias vezes. Meu questionamento a respeito do torneio deste ano é a não-participação de Riquelme. Se ele estivesse lá, o jogo de amanhã seria ainda mais interessante.
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João Luis escreve: Quero comentar sobre a situação do Felipe no Corinthians. Não acho errado ele querer ganhar mais, mas é uma vergonha o que o empresário dele está fazendo, ameaçando o clube. Ele tem ou não tem contrato?
Resposta: Tem, até 2011. E também não o culpo por querer se valorizar, com base no que mostrou em campo. Nessas negociações, há muitos blefes, bravatas, ultimatos. Tudo isso faz parte. Não esqueça que o novo diretor de futebol do Corinthians, Antônio Carlos, disse esta semana que o Felipe "tem de botar a cabeça no lugar". Cada um está fazendo (bem ou não) o seu papel, neste ambiente em que rola muito dinheiro, e fala-se muita bobagem.
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Henrique escreve: O que você achou da atitude do LeBron James, companheiro do Anderson Varejão no Cleveland
(Cavaliers, da NBA), que "escoltou" o brasileiro para evitar que ele fosse vaiado?
Resposta: Sensacional. Explicação para quem não soube: Varejão demorou para acertar sua renovação de contrato com o clube, por achar que não estava sendo valorizado. Voltou para o Brasil e declarou que não queria mais jogar em Cleveland. No final das contas, recebeu uma proposta que o satisfez e assinou. Só que a repercussão do caso foi ruim entre os fãs do time, ele não ficou muito bem na foto. Em seu primeiro jogo no retorno, terça-feira contra o Indiana Pacers, em Cleveland, era óbvio que a reação dos torcedores não seria amistosa. LeBron James, ídolo do time, resolveu o problema: pediu para começar o jogo no banco de reservas, e entrar em quadra junto com Varejão. Os dois foram juntos para o jogo, no meio do primeiro quarto. Como ninguém em Cleveland tem coragem (e nem motivo) para vaiar James, Varejão foi protegido.
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Obrigado pelas mensagens. Bom fim-de-semana.
"Todos esses momentos ficarão perdidos no tempo, como lágrimas na chuva."
Roy Batty, em "Blade Runner - O Caçador de Andróides".
(sugestão do blogueiro Rafael Lavecchia. O blog agradece.)
enviada por André Kfouri
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(O que é isso?)