18/11/2007 13:31
COLUNA DOMINICAL
"Paraíba" é como ele é chamado pelos outros funcionários do restaurante.
Na verdade, quase ninguém o chama de Valdenir.
Valdenir nasceu em Cajazeiras, cidade do interior paraibano que fica a quase 500 quilômetros de João Pessoa, há 34 anos. Foi embora de carona para São Paulo, tentar a vida.
Trabalhou como vendedor numa quitanda, em São José dos Campos. Lavou louça num restaurante. Em pouco tempo foi "promovido" a barman. Em menos tempo ainda, chegou à cozinha.
Nunca mais saiu.
Da cozinha, não de São José dos Campos. A cidade paulista também já ficou para trás.
Duas amigas foram para a Europa com a promessa de chamá-lo quando o restaurante delas estivesse montado.
O convite veio, mas de outro lugar.
Pequim.
"Tô dentro", foi a resposta do Paraíba, sem pestanejar. Londres seria mais fácil, mas o que tem a temer um cara que se mandou para São Paulo sem saber em que porta bater?
É bem provável que você nunca tenha ouvido falar de um restaurante chamado Alameda. Eu não fazia a menor idéia de que ele existia.
Mas na capital chinesa o lugar é famoso. Todo mundo conhece.
O Alameda já ganhou três vezes o prêmio de melhor da cidade, na categoria cozinha internacional.
Cozinha em que Paraíba manda, falando um pouco de inglês e até um pouco do chinês que ele pôde aprender nesses quatro anos.
Foi-se o tempo em que ele só era fluente em "paraibanês", orgulha-se.
O restaurante vive cheio. É um dos responsáveis pelo pesado movimento, especialmente à noite, num bairro da região central de Pequim. Fica numa ruazinha sem saída perto da área das embaixadas.
Serve comida contemporânea, com toque brasileiro. O tagliatelle com mussarela de búfala e tomate cereja é ótimo, ainda mais numa cidade em que encontrar opções semelhantes é tarefa tão complicada quanto ler as placas nas ruas, sem apelar para a "legenda" em inglês.
Para o Paraíba, complicado, apenas, é deixar a família no Brasil.
O movimento aumentará em 2008, com a abertura de outro restaurante em Xangai. Mas ele já está pensando em voltar.
Em quatro anos, no máximo, quer estar fazendo comida para os amigos, em casa.
Se o projeto fosse servir sorvete na Lua, quem o conhece não duvidaria do sucesso nem por um segundo.
Paraíba é dessas pessoas que pilotam a própria vida, com a coragem e o bom humor que faltam a tanta gente por aí.
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O frio por aqui é devastador. Dizem que o vento faz a sensação térmica ser cinco graus a menos do que os termômetros mostram.
A Olimpíada, feliz e obviamente, será no verão.
Pequim está se transformando, agora, do mesmo jeito que muitas outras cidades fizeram décadas atrás.
Áreas pouco atraentes, com galpões semi-abandonados, dão lugar a galerias de arte. Bares, cafés e pequenos restaurantes dominam ruas inteiras e começam a formar bairros com uma identidade mais moderna.
Em alguns lugares, praticamente perde-se a noção de que esta é uma cidade oriental.
Já são três as revistas editadas totalmente em inglês, que têm como alvo o contingente estrangeiro cada vez maior.
As publicações mostram Pequim para os não-chineses, com dicas culturais, informações sobre onde comer, onde comprar, hotéis interessantes e outras novidades.
Os endereços são publicados
também em chinês, para ajudar na comunicação com o motorista do táxi. Por comunicação, entenda-se apenas colocar o dedo sobre o endereço desejado, e torcer para que ele conheça o local.
Beijing deve significar "cidade dos guindastes".
Incrível a quantidade de obras, quase todas gigantescas.
Muitas estão sendo tocadas também durante a noite, para que os prazos não sejam desrespeitados. A data-limite é agosto de 2008, quando os olhos do mundo inteiro estarão aqui.
Em 08/08/08, às 08h08 da noite, começará a cerimônia de abertura, cercada pelo desejo de fortuna e prosperidade que o número 8 representa para os chineses.
Muitos ginecologistas e obstetras não poderão vê-la pela televisão.
As cesarianas com hora marcada estão quebrando todos os recordes.
enviada por André Kfouri
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(O que é isso?)