BLOGOL Kfouri
03/11/2007 12:36

CAIXA-POSTAL

Quem é penta... quem não é penta...

Amigos, este assunto é que é verdadeiramente penta.

Mas não há como fugir dele, há?


Cléber (entre dezenas) escreve: Você ainda não disse o que pensa sobre o caso do penta (Flamengo ou São Paulo).

Resposta: Vamos lá. Estamos falando sobre nomenclatura, certo? Já dei minha opinião aqui, quando o assunto principal era se o título do Palmeiras em 1951 (Copa Rio) deveria ser considerado um Mundial. Em 1987, o Flamengo venceu um campeonato disputado pelos principais clubes brasileiros, a Copa União. No mesmo ano, aconteceu outro campeonato (sem a presença dos principais clubes), chamado Campeonato Brasileiro, que foi vencido pelo Sport. Se você me perguntar quem, na minha opinião, foi o campeão brasileiro de 1987, minha resposta é que foi o Sport. Mas se você me perguntar que time venceu o principal campeonato de clubes de futebol do Brasil, aquele que verdadeiramente representou o futebol brasileiro em 1987, minha resposta é: o Flamengo. Não há nenhuma dúvida quanto a isso. Como se pode valorizar o Campeonato Brasileiro de 87, sem os melhores times do país? Mas também não se pode chamar a Copa União de Campeonato Brasileiro, já que o Campeonato Brasileiro foi outra competição. Raciocínio parecido vale para a questão dos títulos "mundiais" do São Paulo. O clube ganhou duas competições chamadas "Copa Intercontinental" e uma chamada "Campeonato Mundial de Clubes". Quando a Copa Intercontinental existia, não havia algo chamado "Mundial" (exceção feita ao ano 2000, quando os dois torneios foram realizados), por isso a diferença na nomenclatura. Não fosse assim, e se o pleito do Palmeiras obtivesse sucesso na Fifa, o clube poderia declarar-se campeão "mundial" em 1951. Pelo mesmo motivo (e não vi ninguém falar ou escrever isso) o Santos poderia exigir que suas conquistas da "Taça Brasil" e do torneio "Roberto Gomes Pedrosa" fossem consideradas "Campeonatos Brasileiros" e seria, de longe, o clube com mais troféus.
Voltando ao caso dos pentas, há que se fazer mais alguns comentários. O primeiro é que, nominalmente, o São Paulo é o único pentacampeão brasileiro, único time que ganhou cinco competições chamadas "Campeonato Brasileiro". Mas o torcedor do Flamengo não deve se importar com questões nominais (se fosse rubro-negro, eu certamente não me importaria), quando, quem acompanha e gosta de futebol, sabe muito bem o que foi realmente importante em 1987. E o segundo comentário é que, por respeito à sua participação no movimento que criou a Copa União, em que foi (ao lado do Flamengo, por ironia) a principal liderança, o São Paulo está perdendo uma oportunidade única de resolver essa questão: mandar fazer um troféu idêntico ao seu e, numa cerimônia na Gávea, entregá-lo ao Flamengo. Não mudaria nada no aspecto da nomenclatura, mas seria um gesto simbólico importante, como dizer: "nós, que unimos forças e fizemos a Copa União, achamos que vocês merecem essa taça".

******

Paulo escreve: Como você me convence que a Rede Globo não impediria a queda do Corinthians? Desculpa, mas na bola, esse time, não dá.

Resposta: Não posso te convencer disso. Porque é impossível convencer alguém de algo que está no futuro. Não sei se uma emissora de televisão tem esse poder, por mais que seus interesses estejam intimamente ligados ao que acontece em campo. É inegável que o rebaixamento do Corinthians teria impacto na audiência da Série A. Mas, por outro lado, a audiência da Série B aumentaria. Seria muito complicado para a Globo transmitir a Série B, em outros dias e horários, e continuar transmitindo a Série A? Sim, seria. Mas, com ajustes, daria para fazer. Ela só precisaria decidir se valeria a pena. Outra coisa, no campo das suposições: você acha que, se houvesse uma "operação de salvamento", os pênaltis de Aílton (contra o Náutico) e Iran (contra o Figueirense) teriam sido marcados?

******

Gustavo escreve: Os jogadores de futebol costumam ser boas fontes para os jornalistas? Em off eles dão informações interessantes, ou é aquele papo de "o professor é quem decide", "o grupo tá fechado", entre outras ladainhas?

Resposta: Em "off", os jogadores sempre foram e sempre serão boas fontes. Isso não vai mudar nunca. Essas declarações que se repetem, do tipo "vim para somar", valem apenas quando eles estão em "on". Em qualquer conversa particular, e sem gravação, com um jogador, consegue-se informações que não aparecem em entrevistas coletivas. Lógico que dependendo do relacionamento, maior será a confiança. A cobertura dos clubes, no mundo inteiro, é pasteurizada e "controlada". Mas nunca conseguirão acabar com as relações entre as pessoas.

******

Ricardo escreve: Para você, o Valdívia é herói ou vilão? Sou palmeirense e percebo que a torcida está dividida em relação ao que ele fez no jogo contra o Vasco.

Resposta: Permita-me começar discordando de você, mas não creio que a torcida esteja dividida. A maioria o considera perseguido, o que é direito dela (o problema é gente querer controlar a opinião dos outros). Isso não significa, claro, que não haja quem pense que ele errou e prejudicou o time. Eu não considero o Valdívia nem herói nem vilão. Eu acho que, na grande maioria dos casos, ele é vítima de uma arbitragem complacente e que não aplica a regra como deveria. Tévez, no Corinthians, recebia tratamento parecido. Os árbitros permitem que jogadores como eles apanhem, é simples assim. Se eu acho que o fato de serem estrangeiros exerce um papel neste tratamento? Não duvido. Só que Valdívia não é o primeiro jogador habilidoso a ser caçado, e nem será o último. Ele evidentemente tem dificuldade para entender isso, tanto que já levou nove cartões amarelos, quase todos por reclamação. Nada lhe dá o direito de reagir como fez no jogo contra o Vasco, agredindo os marcadores. Assim, ele pede o cartão vermelho e a suspensão. O triste de tudo isso é que arbitragens corretas impediriam que se chegasse a esse ponto.

******

Não costumo contar, mas acho que a "polêmica do penta" rendeu o maior número de mensagens, desde que a nossa CAIXA-POSTAL foi criada.

É ótimo saber que tanta gente lembra deste espaço na hora de discutir esses assuntos.

Muito obrigado e até sábado que vem.

Aproveitem (os que têm essa sorte) o fim-de-semana prolongado.


"Meu nome é Maximus Decimus Meridius. Comandante dos Exércitos do Norte, leal servo do verdadeiro imperador, Marcus Aurelius. Pai de um filho assassinado, marido de uma mulher assassinada. E eu terei minha vingança, nesta vida ou na próxima."

Maximus, ao tirar a máscara na frente de Commodus, em "Gladiador".


enviada por André Kfouri






Feed: Seja avisado quando este blog for atualizado :: (O que é isso?)
André
Kfouri


Blogueiro
de esportes

Blog de Bola
Blig do Gomes
Universo da Bola
Bola No Mundo



CAIXA-POSTAL:
Perguntas, críticas e sugestões
Blog do Juca
Trivela
Blog do PVC
Blog do Milton Leite
Espn Brasil
Espn
iG Esportes