BLOGOL Kfouri
10/11/2007 12:49

CAIXA-POSTAL

Os americanos chamam de "give and go", os argentinos de "toco y me voy", os brasileiros de "tabelinha".

O Blogol chama de "CAIXA-POSTAL".

Você pergunta, eu respondo. E é isso.


Marco Aurélio escreve: Fala-se muito sobre as maiores torcidas do Brasil, que representam X% da população, Y milhões de torcedores e por aí vai. Mas os clubes sempre estão com pouca grana, quase falidos. Por isso pergunto: será que essas pesquisas correspondem mesmo à realidade? Por que, por exemplo, o Liverpool tem menos da metade de torcedores do que o Flamengo e é um dos times mais ricos do mundo? Arsenal, Juventus, idem?

Resposta: Não duvido dos números que aparecem nas pesquisas, acho que eles são reais. O que acontece é que os clubes brasileiros não conseguem explorar suas marcas. Nossos clubes são absolutamente dependentes da televisão, entre outras coisas, porque são incapazes de fazer dinheiro significativo com licenciamento de produtos, venda de camisas, e bilheteria. Os clubes europeus que você citou também ganham muito com os contratos de TV, mas dão uma aula no aspecto do licenciamento. Você entra na loja oficial de qualquer clube grande da Europa e fica impressionado com a quantidade de produtos à venda. E há uma diferença brutal na questão da presença de público nos estádios, por causa da maneira como o torcedor é tratado lá e aqui. Lá, cliente. Aqui, você sabe. O potencial dos clubes brasileiros é gigantesco, porque suas torcidas são enormes, mas esse potencial é incrivelmente sub-aproveitado.

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Henry escreve: Por que os números oficiais de público nos estádios são os pagantes e não os presentes? Concordo que se deva divulgar os dois, mas para o ranking deve ser o público presente pois crianças não pagam, idoso também não. Além dos inúmeros convites. (tô falando do Maracanã, claro. Ah, e sou tricolor)

Resposta: O número que vai para a estatística oficial é o de torcedores que pagaram ingresso. É evidente que é o público presente é o que melhor define o número de pessoas que foram ao jogo, mas quem entrou sem pagar não interfere na renda. O critério é esse.

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Carlos Eduardo escreve: Existe alguma oposição concreta aos pontos corridos (no Campeonato Brasileiro)? É de fato algo que possa acontecer já em 2010?

Resposta: Ainda é apenas uma conversa, mas a mudança na fórmula do Campeonato Brasileiro será discutida no Clube dos 13. O diretor financeiro da entidade, Fernando Carvalho (ex-presidente do Internacional), disse publicamente que o tema será abordado tão logo se defina quem será o próximo presidente. Após cinco anos de pontos corridos, os clubes acham que está na hora de debater. E não seria algo para 2010, e sim 2009. Citando exemplos, Carvalho disse que o Atlético Paranaense é a favor da manutenção da fórmula atual, já o Vasco prefere o retorno do mata-mata. Eu lamento que se pense em mudar o formato de disputa, justamente no momento em que mais clubes e mais torcedores descobriram a maneira correta de lidar com os pontos corridos. E acho impossível que aconteça, aqui no Brasil, o que ocorre em muitos campeonatos europeus, em que só três ou quatro clubes têm reais chances de título. Sou um defensor dos pontos corridos, e também da redução do número de participantes. Dezoito clubes (com rebaixamento/acesso de três), para mim, é o número ideal para um campeonato empolgante do começo ao fim.

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Daniel escreve: Porque as imagens de campeonatos como o inglês, italiano, alemão, Copa do Mundo etc, tem aquela qualidade quase cinematográfica, enquanto aqui no Brasil as imagens são bem mais toscas? A qualidade das câmeras lá é muito superior?

Resposta: Muitas coisas interferem na qualidade das imagens. Câmeras mais modernas, transmissão analógica ou digital, tipo de recepção do sinal, etc. Mas um detalhe que influencia bastante (mesmo com a capacidade das câmeras de "dar um ganho") é a iluminação dos estádios em jogos noturnos. Aqui no Brasil, alguns estádios mais parecem boates.

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Obrigado pelas mensagens. Bom fim-de-semana a todos.


"Ah, bem, o que eu quero dizer com isso, senhor, é que... se o senhor me colocar, junto com este rifle aqui, em qualquer lugar até uma milha de distância de Adolf Hitler, com visão clara, senhor... façam suas malas, amigos, a guerra acabou. Amém."

Private Jackson, o atirador, em "O Resgate do Soldado Ryan".


enviada por André Kfouri






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