20/11/2007 12:45
BOA SORTE, PEQUIM
Os chineses estão fazendo alguns eventos como aperitivo para a Olimpíada.
É bom para eles, que testam a organização. É bom para atletas e jornalistas, que conhecem os locais de competição.
Todos os eventos têm o mesmo nome, independentemente do esporte: "Good Luck Beijing"
No fim-de-semana passado foi a vez do judô. Desde ontem, é a vez do boxe.
Estivemos na Arena do Trabalhador no final da tarde, apenas para pegar nossas credenciais. O plano é conhecer o local amanhã ou na quinta-feira.
Foram cerca de 45 minutos de um "evento-teste" da relação imprensa-voluntários.
Na porta da tenda armada ao lado da entrada principal do ginásio, estava escrito "Credenciamento". Fomos gentilmente recebidos por quatro pessoas. Alex Tseng, que tem salvado nossas vidas por aqui com seu chinês inacreditavelmente fluente, tratou de explicar o que estávamos fazendo ali.
Meu conhecimento da língua chinesa é vergonhoso. Não vou além de "como vai?" (ni hau), "adeus" (tzai tien) e "obrigado" (xe xe).
Mas seja qual for o idioma, é perfeitamente possível descobrir quando algo está errado. Começa quando alguém ouve uma pergunta e coça a cabeça.
Reação universal, que significa "eu-não-faço-a-menor-idéia".
O voluntário não sabia como proceder no caso dos brasileiros que chegaram de repente, procurando credenciais.
Chamou o chefe do credenciamento pelo rádio. Ele estava numa reunião.
Explicou que a sala do credenciamento não era ali, apesar da placa na porta. Era dentro da arena.
Podemos ir até lá?
Não.
Alex fazia a tradução da "situação de momento", quando uma voluntária sorridente se aproximou e disse "havasit, plis".
Puxamos umas cadeiras. Sem dramas. Afinal, não estávamos com pressa, não havia nada acontecendo, nem precisávamos entrar no ginásio.
Mas não pude evitar o pensamento: e se precisássemos entrar o quanto antes, com a competição para começar? Resolvi que era melhor deixar isso para o ano que vem.
Estranhei que não perguntaram nossos nomes, não pediram identificação. Não seria interessante procurar nossas credenciais no computador?
Alex repassou a sugestão.
Olhos arregalados, boca aberta. Como se a idéia fosse revolucionária.
Bingo. Estávamos todos na tela. Sorrisos. Querem água?
Nova chamada pelo rádio para o chefe, que responde. Ele recebe a notícia de que nossas credenciais existem, e manda avisar que elas chegarão em minutos.
E chegam mesmo. Mas falta uma, a do cinegrafista Marcelo dos Santos.
Havasit, plis.
Alex pergunta, eles respondem. Alex reclama, eles sorriem. Eu não entendo nada, mas tudo bem.
Combinamos que uma nova credencial será feita para o Marcelo no dia em que voltarmos.
O pensamento é, novamente, inevitável: e se...
Bem, por que queimar etapas?
Good Luck Beijing.
PS: O dia valeu pela visão privilegiada que tivemos do "Ninho de Pássaro", o impressionante estádio olímpico de Pequim.
A distância, uns 400 metros, foi perfeita para vê-lo por inteiro.
Palavra para descrevê-lo: ainda não foi inventada.
A visão é de arrepiar até o último fio de cabelo.
enviada por André Kfouri
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(O que é isso?)