10/10/2007 12:53
QUINTO MUNDO
Uma historinha off-topic do blog, dessas que aparecem por aqui de quando em quando:
Ontem fui jantar com minha mulher e alguns amigos, num restaurante italiano que abriu recentemente em São Paulo.
O lugar estava praticamente vazio na hora em que chegamos (depois o movimento melhorou), e num salão espaçoso, quatro pessoas ocupavam a mesa ao lado da nossa.
Três homens e uma mulher, pareciam estar terminando o jantar.
Eis que um dos homens acendeu um cigarro.
Estávamos na área não-fumante. Quando percebeu o nosso incômodo com a fumaça, o homem prontamente apagou o cigarro. Um pouco contrariado, mas apagou.
Chamou a minha atenção a insistência da mulher para que ele continuasse fumando, algo que pode ser classificado como uma provocação. Mas a resposta foi "não, não vou discutir".
Pois bem. Pouco tempo depois, eles chamaram o maître, e a conversa que se seguiu foi inacreditável.
Um dos homens, um senhor de óculos, disse que o prato que ele pediu foi "a pior coisa que ele comeu na vida".
O maître pediu desculpas, quis saber o que havia de errado com a comida. Nesse momento, o homem que havia acendido o cigarro interrompeu e acrescentou que a massa que ele pediu também estava horrível.
"Para comer um miojo, eu como na minha casa, o senhor não concorda?", perguntou ao maitre, em voz alta.
Visivelmente constrangido, o maître concordou, pediu desculpas novamente, quis saber o que ele poderia fazer, perguntou se queriam pedir outra coisa.
Não, eles queriam apenas a conta.
"Por tudo o que aconteceu, evidentemente os senhores não têm conta conosco hoje", disse o maitre.
A partir daí, em vez de levantar e ir embora, aquelas pessoas passaram a humilhar o funcionário do restaurante. Repetiram o que acharam da qualidade da comida, como se aquilo tivesse sido feito de propósito, como se fosse uma ofensa.
Estavam tão indignados, que dava até para desconfiar.
Ao final, pediram a conta mais uma vez.
Obviamente a resposta do maître foi a mesma. E eles saíram.
Terminado o episódio, fizemos os nossos pedidos, fomos muito bem atendidos e jantamos muito bem.
Na hora de ir embora, comentando a cena com um garçom, fiquei sabendo que o motivo da reclamação tinha sido o mesmo prato que eu pedi: um ravióli com mussarela de búfala e molho de tomates.
Do meu prato, não sobrou nada, nem o molho.
E do prato do senhor que reclamou, disse o maître, também não.
Estranho, não? O cara come tudo e depois fica revoltado.
O maître disse que desconfiava de um golpe, que tinha informações de que aquelas pessoas eram conhecidas. E que a obrigação dele era agir como agiu. Pedir desculpas, não cobrar, evitar a todo custo uma cena de maiores proporções.
Faz sentido.
Na verdade, torço para que tenha sido um golpe mesmo.
Porque a "diversão" que aquelas pessoas demonstraram ao ridicularizar o maître do restaurante, ao humilhá-lo publicamente, cheirou muito mal.
Coisa de uma gentinha que eu costumo chamar de "brasileiros de quinto mundo".
Infelizmente, são numerosos.
Que os quatro da mesa ao lado sejam "apenas" desclassificados que gostam de dar tombos em restaurantes da cidade.
E que o dia deles chegue logo, num salão cheio de gente.
enviada por André Kfouri
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(O que é isso?)