14/10/2007 11:39
COLUNA DOMINICAL (hoje só a parte "séria")
A idéia era ficar atrás do gol do Chile, para captar o inferno provocado por uma dupla de ataque de 16 milhões de euros por ano.
Leo Messi e Carlitos Tevez ganham três vezes mais do que todos os jogadores da Seleção Chilena, juntos.
Eu tinha certeza de que veria pelo menos um gol de cada um.
O clima colaborou, mais uma prova de que alguém lá em cima gosta de futebol. Depois de dois dias de chuva e vento, Buenos Aires viveu um sábado seco, até com algumas visitas do sol. O guarda-chuvas só não ficou no carro por pura precaução.
E a posição era perfeita. Dois metros para a direita da meta ocupada pelo goleiro Claudio Bravo, no primeiro tempo.
Na base do toque curto e da velocidade, Messi e Tevez tentaram vencer a zaga chilena, repetidas vezes. Mas Marcelo Bielsa, técnico argentino que hoje comanda o Chile, conseguiu trancá-los para fora da grande área.
O que Bielsa não conseguiu foi parar Juan Roman Riquelme.
Esse parece ser um privilégio de outro técnico, o chileno Manuel Pellegrini, atual treinador do Villarreal. Riquelme está encostado na Espanha, não joga uma partida desde que se reapresentou ao clube, após a Copa América da Venezuela.
No Monumental, um de seus primeiros toques na bola foi um chute da entrada da área que raspou a trave de Bravo.
Logo depois, um lançamento perfeito para Zanetti na direita, mostrou que o camisa 10 argentino via as coisas bem claras, mau sinal para o adversário.
Uma falta à meia-distância, na medida para o cobrador destro, foi só o que Riquelme precisou. De curva, por cima da barreira, na rede lateral.
Bravo teve a mesma reação das outras pessoas no estádio: olhou.
Claro que ele não pôde aplaudir, mas deve ter tido vontade.
Pouco depois, uma escapada de Messi pela intermediária levou a outra falta, no próprio Riquelme, desta vez de frente para o gol.
A curva foi ainda mais maldosa. Por fora da barreira, saindo do gol, até entrar novamente no canto esquerdo do pobre goleiro, transformado em estátua.
Os atacantes argentinos até tiveram seus momentos no segundo tempo. O bastante para convencer a todos de que, entrosados, não será agradável encontrá-los.
Mas os dois gols da primeira parte foram suficientes.
A Argentina arrancou para a Copa do Mundo com o pé direito de um craque que personifica sua escola de jogar futebol.
Clássico, cerebral, técnico, genial.
Eu apenas agradeço por estar ali, atrás do gol.
enviada por André Kfouri
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(O que é isso?)