21/10/2007 13:47
COLUNA DOMINICAL
Conheço um executivo que participou da operação de parceria entre uma empresa e um grande clube do futebol brasileiro.
Seu trabalho era diretamente ligado à parte financeira, e foram inúmeras as histórias de viagens ao exterior para encontros com dirigentes, agentes, jogadores e outros executivos que tinham a mesma função: fechar negócios.
Ótimo emprego, esteja certo disso.
Os relatos são interessantíssimos, os valores altíssimos. Sempre me impressionei com o número de pessoas envolvidas em cada contratação, e deduzi que cada um estava ali para garantir sua parte.
Por dentro ou não.
Um dia, perguntei à queima-roupa se ele ganhava dinheiro nas negociações que fazia. A resposta foi outra pergunta: por dentro ou por fora, é isso que você quer saber?
Sorri. Ele emendou outra: por que eu arriscaria meu emprego tomando comissões às quais não tenho direito? E me explicou que seu contrato previa um generoso bônus, relacionado à performance da empresa na venda de jogadores.
Que não se confunda o objetivo de quem investe na área. Poucos "produtos" dão tanto lucro quanto jogadores de futebol.
O que nos leva à outra pergunta: qual é o objetivo de um time de futebol?
No momento em que se ouve rumores sobre novos "modelos" para a relação entre clubes e treinadores, seria saudável que os clubes tivessem a resposta clara.
Dar a um técnico, em contrato, um percentual sobre o lucro proporcionado pela negociação de jogadores que ele tenha indicado é algo que sinaliza um caminho que não vai agradar o torcedor.
Qual será o objetivo? Esportivo ou financeiro?
A prioriade do técnico será escalar determinado jogador para que ele apareça ou porque ele é o melhor à disposição?
Alguém poderá dizer que, oras, jogador ruim aparece mal e não gera o interesse de ninguém.
Verdade. Mas se o conceito fosse assim tão claro, não haveria discussão sobre as escalações dos times e, como sabemos, da Seleção Brasileira.
Émerson Leão, por exemplo, saiu do Corinthians dizendo que "deu lucro" ao clube, porque o meia Willian atingiu a titularidade sob seu comando e, posteriormente, foi vendido por incríveis 19 milhões de dólares a um clube ucraniano.
Será que o torcedor gostou do trabalho de Leão por isso, ou porque ele ajudou (e ajudou mesmo) a salvar o time do rebaixamento em 2006?
Leão não tinha em seu contrato uma premiação "por lucro proporcionado". Tinha, sim, uma compensação por performance
do time.
Um milhão de reais, se levasse o Corinthians à Libertadores.
O clube achou que faria sentido e concordou.
Como agora outros (o Corinthians inclusive) podem achar que faz sentido repassar a um treinador uma parte do lucro (em caixa, não na sala de troféus) que ele der.
Ilegal, não é. Claro que não.
Mas que o torcedor seja avisado de que seu time deixou de competir em campo.
E que haverá festa se fechar o ano com duas ou três negociações lucrativas.
E que ele terá de ficar feliz por isso.
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Eric Clapton, o gênio, estava ao vivo ontem à noite na CNN, no programa de Larry King.
Não me lembro de ter visto alguma outra entrevista tão longa com um músico que tem tanta coisa para contar. E não só coisas boas.
Clapton falou sobre drogas, álcool, a morte do filho de quatro anos, com tocante (sem trocadilho, juro) sinceridade. E sem demagogia, o que é tão importante quanto.
Sua autobiografia, "Clapton: The Autobiography", acaba de ser lançada, junto com um CD.
Quer ter uma medida da moral de Elano no Manchester City?
Clique
aqui. Obrigado ao blogueiro Luiz Neto pelo link.
Marcos, o São Marcos, sofreu nova fratura no braço esquerdo. Só volta em 2008.
Eu sei que não devemos supor que a vida seja justa. Também sei que, mesmo com tantas lesões, o goleiro do Palmeiras é um jogador realizado por uma carreira fenomenal.
Mas alguém como ele não merece isso.
Ótima
reportagem sobre o piloto que deveria ser Lewis Hamilton, assinada por Fábio Seixas e Tatiana Cunha, na Folha de S. Paulo de hoje.
É preciso ser assinante do UOL, ou da própria Folha, para poder lê-la on-line.
A festa dos sul-africanos sobre os "Cavaleiros da Rainha", ontem em Paris, foi o encerramento perfeito para um evento esportivo impecável.
A Copa do Mundo de Rugby fez muita gente descobrir (e apreciar) o esporte no Brasil.
enviada por André Kfouri
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(O que é isso?)