BLOGOL Kfouri
27/10/2007 12:16

CAIXA-POSTAL

"Thiago Neves e Seus Dois Contratos"

Já há material suficiente para fazer um filme...

Mas a CAIXA-POSTAL de hoje também tem outros temas:


Gustavo escreve: O que você tem achado do comportamento do Renato Gaúcho e do Muricy nas entrevistas? Estariam eles seguindo o modelo pretensamente espirituoso e francamente deselegante do Leão, imaginando maldade em cada pergunta que não é bajuladora?

Resposta: Participei de entrevistas do Renato Gaúcho duas ou três vezes apenas, então não tenho como avaliar. Pelo que vejo, quando vejo, após os jogos, ele tem rebatido algumas perguntas com mais força, sim. Sobre o Muricy, posso falar melhor. Às vezes acontecem uns arranca-rabos nas coletivas, que realmente não têm sentido. Só que o Muricy tem um comportamento que precisa ser elogiado: mesmo que ele discuta com um repórter num dia, ele não deixará de responder a pergunta desse mesmo repórter num momento posterior. É como se o que acontecesse durante aquela entrevista fosse "do jogo", e acabasse ali. E, na verdade, é um jogo mesmo. Há um determinado tipo de pergunta que certos técnicos não toleram, principalmente se o perguntador não é conhecido do treinador. Com o tempo, aprende-se a perguntar a mesma coisa, de outra forma, e consegue-se a resposta desejada. No caso do Muricy, também é bom deixar claro que, mal ou bem, ele efetivamente responde as perguntas que são feitas. Há técnicos que acham legal transformar as entrevistas em "conversas entre loucos", nas quais se pergunta sobre laranja e a resposta é sobre banana.

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Carlos Alexandre escreve: Gostaria de perguntar sobre o rugbi. Você viu que cena mais bacana aquela dos jogadores da Seleção Portuguesa cantando o hino do país, abraçados, emocionados e - mais incrível, para nós acostumados com o futebol - sabendo a letra e cantando realmente? O hino de Portugal ajuda muito, o fato de ser em português marca mais, mas me ocorreu de perguntar: afinal, por que só no futebol os hinos são tratados como um enfadonho protocolo desnecessário?

Resposta: A cena dos jogadores portugueses cantando o hino chorando é histórica e inesquecível. Pena que as imagens da Copa do Mundo de rugby tenham sido proibidas no YouTube, porque acho que muita gente gostaria de ver. Os argentinos, em sua campanha fabulosa, também cantaram o hino abraçados e emocionados. Eu acho que aí há uma diferença importante, por estarmos falando de rugby, uma atmosfera diferente do futebol, em todos os aspectos. Se bem que, em Copas do Mundo de futebol, também já vi momentos marcantes, como os franceses na final de 98 contra o Brasil, e os alemães e italianos na semifinal de 2006. Como já escrevi aqui, acho bobagem o hino ser executado por determinação de lei nos jogos do Campeonato Brasileiro em São Paulo, por exemplo. Banaliza-se um momento que deve ser especial.

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Anderson escreve: Tem um assunto que gostaria de discutir. Quais são os times grandes do Brasil? Para mim são (começando pelo sul): Grêmio, Internacional, São Paulo, Santos, Palmeiras, Corinthians, Flamengo, Vasco e Cruzeiro. Não acho que clubes que só tenham conquistado campeonatos estaduais e regionais e no máximo um brasileiro possam ser considerados grandes, independentemente da quantidade de torcedores. Lógico que os torcedores de Botafogo, Fluminense e Atlético-MG não vão concordar, mas duvido que eles considerem que Atlético-PR, Coritiba e Bahia são grandes, para mim todos esses clubes são médios. E temos até um pequeno que já foi campeão brasileiro: Guarani. Para mim o Sport foi campeão da segunda-divisão. Qual a sua opinião?

Resposta: Eu acho que a grandeza de um time é definida pela sua representatividade, pelo número de pessoas para as quais aquela camisa é importante. Para mim, tem mais a ver com tamanho da torcida do que com número de títulos, ainda que as conquistas sejam obviamente importantes. Os grandes times brasileiros são aqueles que movimentam muita gente.

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Mauro (entre muitos) escreve: Qual é sua opinião sobre o caso do Thiago Neves?

Resposta: É engraçado como, dependendo de qual versão se ouve sobre essa história (Palmeiras, Fluminense, empresários, advogados...), parece que se trata de coisas diferentes, não? Imagine a quantidade de mentira que já foi dita. Isso é algo que me impressiona. É evidente que o Thiago errou ao assinar dois contratos, não há como questionar isso. Mas é evidente também que o erro maior foi cometido bem antes disso, ou seja, quando o jogador abriu mão do direito de decidir os rumos da própria carreira. E como um erro quase sempre leva a outro, o rolo ficou maior. E quando ele diz algo do tipo "meus empresários estão resolvendo, eu penso apenas em jogar...", parece que ele acredita realmente que não tem nada com isso, que se virem. Uma pena que se tenha chegado a esse ponto de alienação.

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Obrigado a todos. Aproveitem o fim-de-semana.


"Coma o maldito cookie!"

Ordem da garçonete do restaurante chinês, em "Mickey Olhos Azuis".


enviada por André Kfouri






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