BLOGOL Kfouri
23/09/2007 12:32

COLUNA DOMINICAL

Sob o sol de uma manhã quente em São Caetano do Sul, a pista de atletismo parece maior.

Dezenas de pessoas alongam os músculos, trotam pelas raias, aquecendo-se, enquanto uma equipe instala modernos equipamentos de cronometragem.

Eles não são atletas, e não se preparam para uma competição.

São árbitros e assistentes do quadro nacional, no dia em que devem completar a avaliação física obrigatória.

O teste, desenvolvido pela Fifa e aplicado no mundo inteiro, é igual para todos. Mas tem diferentes níveis de exigência para homens e mulheres, árbitros e assistentes, membros do quadro da Fifa e aspirantes a ele.

São duas provas. A primeira testa explosão e velocidade. Seis tiros de quarenta metros, com intervalos de um minuto e meio de recuperação. Quem quer ser árbitro-Fifa precisa completar cada tiro em, no máximo, 6 segundos.

Postes com células foto-elétricas na largada e na chegada garantem a precisão, e confirmam que uma assistente não foi aprovada para atuar na Copa do Mundo de futebol feminino, em andamento na China, por causa de um décimo de segundo.

O índice de reprovação é baixo. E quem reprova, na maioria dos casos, não é o cronômetro. São os músculos da coxa, que, despreparados para sustentar a repetição do esforço, recusam-se a cooperar.

Meia hora de descanso antes do segundo teste, de resistência. Este, sim, de um alto nível de exigência.

Dez voltas na pista oficial (400m), alternando tiros de 150 metros, e caminhada de 50 metros. O problema é que, no índice Fifa para árbitros, cada 150m têm de ser percorridos em no máximo 30 segundos, e cada 50m, em 35 segundos.

Essas marcas só podem ser violadas uma vez.

Os cordenadores da avaliação dizem que o caminho mais curto para a aprovação é um período de treinamento específico de 8 semanas.

Durante a prova, estirados no chão ou com outros sintomas de exaustão, fica evidente quem não se preparou.

Caso de Ana Paula de Oliveira, assistente que tenta voltar à arbitragem após um período de experimentação em outras atividades.

Ana Paula abandona o teste de resistência antes da metade, alegando uma lesão sofrida por excesso de treinamento, após a divulgação de suas fotos na Playboy.

Mas até quem se considerava pronto, falha.

Leonardo Gaciba, melhor árbitro brasileiro nos últimos dois anos, não completa a oitava volta. Diz que se sentiu como um carro que desligou, sem forças.

Gaciba (Fifa/RS) acredita que pode sofrer de um bloqueio psicológico. Esta foi sua terceira reprovação.

Em janeiro, durante um encontro de árbitros emergentes em Zurique (SUI), ele teve um problema muscular. Em junho, antes do Campeonato Mundial Sub-20, no Canadá, também faltou energia.

Ele diz que tentará de novo na próxima terça-feira, segunda e última chance de não botar seu escudo da Fifa em risco.

Parece claro que o teste é exageradamente difícil, se comparado ao esforço de um árbitro durante um jogo. Mas a Fifa quer os homens e mulheres de preto em condições físicas de igualdade em relação aos atletas.

No Brasil, onde eles não podem viver apenas da arbitragem, é preciso fazer milagre.

Mais uma prova de que a profissionalização é um caminho que já deveria ter sido percorrido.

******

A maneira como o Palmeiras resolveu o problema da disputa pela camisa 1 (após a recuperação de Marcos), mostra porque, além de jogadores, um time de futebol que quer ter sucesso precisa de gente.

Marcos e Diego Cavalieri são goleiros excepcionais.

E pessoas ainda melhores.

A fase de um clube dispensa comentários quando a melhor notícia da semana é a renúncia de seu presidente, e de seus vices.

Mas o Corinthians tem, sim, uma oportunidade única de se reconstruir.

Desde que não esteja em curso tão somente uma troca de guarda.

Pelos nomes ventilados até agora como candidatos, é o que parece.

Estão querendo acabar com Antenor Cavalcanti, agora até filho fora do casamento inventaram para ele...

E é preciso ficar registrado que Wagner Moura está impecável na pele do canalha Olavo.

Coitada da próxima novela...

E por falar em Wagner Moura, alguém aí já viu "Tropa de Elite"?

No cinema, quero dizer.

Não surpreende o lado escolhido por Celso Roth, técnico do Vasco, na polêmica sobre o "drible da foca".

Tomara que os zagueiros vascaínos sejam mais inteligentes ao lidar com a jogada, se ela acontecer logo mais, em São Januário.

Pelas declarações que eu li, serão.


enviada por André Kfouri






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