07/08/2007 12:13
MANO MANDA
Surpreso(a) com a decisão do Grêmio de dispensar Amoroso?
Aqui vai uma historinha que ilustra como as coisas são feitas no clube em que a voz do técnico é a mais alta, quando o assunto é o time.
O período e o nome do jogador em questão serão omitidos, por motivos evidentes. E também porque o que importa é o milagre, não o santo.
Era uma vez... um jogador que o Grêmio contratou, apesar de seus problemas extra-campo. O rapaz tinha conhecidos hábitos noturnos, com frequência incompatível com sua atividade profissional.
Mano Menezes ligou para outros técnicos que trabalharam com o jogador, e ouviu de todos que seria necessário um acompanhamento mais atento do novo contratado.
Numa conversa particular, Mano foi claro: "Na primeira escorregada, você sai."
A resposta foi algo do tipo: "O senhor não precisa se preocupar comigo."
No começo, não havia um retoque a fazer na conduta do jogador cumpridor de horários, bom de grupo, útil ao time.
Mas coincidentemente com as primeiras informações sobre incursões na noite gaúcha, vieram atuações abaixo da média.
O Grêmio perdeu um jogo, fora de casa, que jamais poderia perder. Jogo que o personagem dessa história não teve pernas para terminar, e foi substituído.
No dia seguinte, o grupo estava de folga, mas ninguém teve coragem de sair de casa.
Só que um certo jogador foi visto na festa promovida por uma faculdade de Porto Alegre, até depois das 4 da manhã.
Próximo jogo, faltou gás outra vez, e nova substituição.
E a história da noite anterior ao início da concentração é coisa de filme de ação.
O baladeiro estava sendo "supervisionado" por dois funcionários do Grêmio. Deixou seu apartamento no início da noite, e saiu pelas ruas da capital gaúcha.
Ao perceber que "não estava sozinho", deu voltas no quarteirão para despistar a escolta, sem sucesso. Até que parou o carro e entrou numa igreja.
Os dois seguranças esperaram do lado de fora da entrada, até que todos foram embora, e nada.
Só no dia seguinte descobriu-se que o destino final do passeio havia sido uma casa noturna.
Na reapresentação do elenco, Mano reunuiu o time no meio do campo.
Perguntou ao rapaz: "Onde você estava ...?"
Silêncio.
Mano continuou, mais ou menos assim: "Eu sei onde você estava. Na festa da faculdade, e na outra noite, na boate. Eu estou aqui para dizer aquilo que você já sabe que vai ouvir. Comigo você não trabalha mais. Nosso supervisor está te esperando na sala dele."
Calado, o jogador levantou e saiu.
Mano deu o treino. Ao final, foi chamado na sala do supervisor, onde o baladeiro, arrependido, chorava.
O técnico o encontrou no canto da sala, de costas para a porta, como uma criança de castigo. Em prantos. "Eu tenho família...", dizia.
Mano respondeu que o boleiro não tinha pensado na família enquanto se divertia até de madrugada. Nem na própria, nem nas famílias dos companheiros que ele deixou na mão por causa dos excessos recentes.
E perguntou se ele lembrava da conversa que os dois tiveram, no primeiro dia.
"É mais forte do que eu, professor...", foi o que se pôde ouvir, em meio aos soluços.
A conversa e a passagem deste jogador pelo Grêmio terminaram ali.
Este caso, é bom deixar claro, não tem nada a ver com a situação de Amoroso.
Serve apenas para mostrar que, no Grêmio, é assim.
Mano Menezes decide quem joga e quem não joga no time dele. Vale para quem sai, e para quem entra.
Há uma outra história, sobre um jogador contratado por um diretor de futebol (sem que Mano fosse consultado), porque "estava barato".
Não foi nem apresentado.
Essa eu conto outro dia.
enviada por André Kfouri
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(O que é isso?)