17/08/2007 10:14
ENTREVISTA DA SEXTA
Viva a literatura esportiva brasileira!
Está saindo do forno do jornalista Alberto Helena Júnior, a biografia de Rogério Ceni.
Previsto para ser lançado em outubro, pela Editora DBA, o livro ainda não tem nome.
Mas é garantia de interesse e sucesso, pela tabelinha entre dois craques.
O blog conversou com Helena Júnior por telefone.
BLOGOL - Como foi o contato para escrever o livro?
ALBERTO HELENA JÚNIOR - Foi o seguinte: a DBA
(Editora Dórea Books and Art) me convidou. Eu já tinha escrito o livro do Palmeiras
("Palmeiras: A Eterna Academia"), e recebi o convite da editora. Não sei te dizer se eles conversaram com o Rogério antes ou depois. Mas o Alexandre
(Dórea Ribeiro, proprietário da DBA) é são-paulino, fã do Rogério. Ele teve a idéia.
BLOGOL - Quando vocês começaram o projeto?
AHJ - Há mais ou menos um ano. Houve um período, antes da Copa do Mundo da Alemanha, em que eu estive umas quatro ou cinco vezes na casa dele, e fizemos uma série de entrevistas. A editoria me mandou um bom material de pesquisa. Além disso, entrevistei a mulher do Rogério, a sogra e o pai dele.
BLOGOL - Vocês continuam se encontrando ou essa fase já terminou?
AHJ - Não temos mais nos encontrado. Quando eu tenho alguma dúvida, ligo pra ele. Eu estou muito atrasado com o texto, culpa exclusivamente minha. Muitas vezes eu nem preciso ligar pro Rogério, apenas consulto o material que tenho ou a internet.
BLOGOL - O Rogério já leu algo? O que ele tem dito?
AHJ - Eu já mandei alguma coisa para a editora. Sei que ele leu e gostou.
BLOGOL - Antes de começar o projeto, o que você pensou sobre a oportunidade de escrever a história do Rogério?
AHJ - Eu acho que o Rogério é um dos maiores nomes da história do futebol brasileiro. É a mesma coisa que escrever um livro sobre o Romário, Ademir da Guia, Leônidas da Silva, Rivellino. São estas figuras que fazem a história do nosso futebol. E o Rogério é um atleta fenomenal. É um goleiro-artilheiro, uma coisa que não existe. Só teve o Chilavert
(José Luis, ex-goleiro paraguaio, autor de 62 gols. Rogério tem 75, e contando...), que ele já deixou para trás.
BLOGOL - Você acompanha a carreira do Rogério desde o início. Essa convivência para escrever o livro te mostrou algo que você não conhecia?
AHJ - Não. Eu me lembro bem de um dia, num programa de televisão que eu apresentava chamado "Na Linha do Gol", na TV Gazeta, em que o Rogério foi lá. Ele ainda era reserva do Zetti no São Paulo, e eu meio que profetizei que ele seria um dos maiores goleiros da história do clube. Eu percebi que ele já era um sujeito inteiramente dedicado à família e à carreira. É um cara que escolheu aquela carreira e mandou bala. E ele tem esse poder de liderança, uma coisa positiva, que não é imposta, é natural. Como jogador ele é um fenômeno, porque se dedica a conseguir os melhores resultados. Além do fato de ser o maior ídolo do São Paulo desde o Leônidas.
BLOGOL - O livro surpreenderá as pessoas que acompanham o Rogério, ou é mais uma história que precisa ser documentada pela importância do personagem?
AHJ - Não acho que o livro terá grandes revelações. Eventualmente poderá ter algum episódio que não seja do conhecimento do grande público, que poderá surpreender. Mas acho que não. Eu começo o livro com uma conversa entre o Rogério e a mãe dele, durante uma pescaria na fazenda da família no Mato Grosso. A vida deles tinha sido marcada por muitas mudanças, e o Rogério revela uma perplexidade com a capacidade do pai dele de encontrar os caminhos necessários para sustentá-los. E diz à mãe que acha que não terá essa capacidade. Ela responde que ele não precisa se preocupar, que ele também vai encontrar os caminhos da vida. Aí ele chega ao São Paulo. Eu vou contando a história dele junto com alguns momentos da história do clube. São dois caminhos paralelos que se fundem. O Rogério encontra o caminho dele, e se identifica muito com o São Paulo.
BLOGOL - Como você tem conciliado o projeto do livro com suas outras atividades?
AHJ - Basicamente na sexta-feira, que é o meu dia de folga da coluna e das outras coisas
(Helena escreve no Diário de S. Paulo e no IG), eu sento na frente do computador e mando pau. E também quando tenho tempo livre, de madrugada... eu gostaria de ter muito mais tempo para fazer isso. O personagem é muito interessante, a história é muito interessante. Esse cara vai fazer parte da história do São Paulo. Eu o comparo ao Roberto Gomes Pedrosa, que foi jogador do São Paulo, depois foi presidente do clube e da Federação Paulista de Futebol.
BLOGOL - O que o Rogério te disse sobre essa idéia de ser presidente do São Paulo?
AHJ - Ele não me falou muito sobre isso. Mas eu acho que esse é um objetivo dele. A relação dele com o São Paulo é muito profunda. Talvez seja a mais profunda que eu conheça, no futebol moderno. Só o Marcos, no Palmeiras, pode-se comparar, pelo fato dele também ter vestido apenas uma camisa. Seria, por exemplo, como se o Sócrates tivesse passado toda a carreira no Corinthians e depois fosse presidente do clube. Quero deixar claro que essa é uma opinião minha, não é nada que o Rogério tenha revelado nas nossas conversas.
BLOGOL - Qual será nome do livro?
AHJ - Não sei. Ainda não tem. Só quando estiver pronto.
enviada por André Kfouri
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