12/08/2007 12:31
COLUNA DOMINICAL
O dilema dos times que enfrentaram o São Paulo no primeiro turno do Campeonato Brasileiro é parecido com o dos lutadores que enfrentaram Mike Tyson no início de sua carreira.
Tyson não levava golpes. Saía do ringue sorrindo e com a cara limpa.
O São Paulo não leva gols.
Em 19 partidas, foram apenas 7. Média de 0,36 por jogo.
"Não é só a defesa", avisou Muricy Ramalho, ontem à noite, no Morumbi. "Nossa marcação começa no ataque, porque os nossos atacantes aprenderam a marcar os volantes adversários. Nosso time só é bom assim".
A vitória sobre o Atlético Paranaense foi a sétima consecutiva, e o décimo-segundo jogo (de um total de 19, lembre-se) em que o São Paulo saiu do ringue com a cara limpa, sem levar gols.
Mas é evidente que há uma enorme diferença entre o ex-campeão mundial dos pesos-pesados, e o líder do Campeonato Brasileiro: o ataque.
Tyson era devastador. O São Paulo é bem mais tímido.
Vinte e quatro gols no primeiro turno, média de 1,26 por jogo. Onze times marcaram mais, sem contar os jogos de hoje, que podem fazer esse número aumentar.
"Não precisamos de gols em abundância", disse Rogério Ceni, com o troféu Osmar Santos, símbolo da melhor campanha do primeiro turno, nas mãos. "Dois a zero hoje, como nos dois últimos jogos, valem 3 pontos da mesma forma."
Simples. Não é necessário ganhar por nocaute. Vitórias por pontos bastam.
E o São Paulo somou 40 pontos assim. Só marcou mais de dois gols duas vezes, nas vitórias (ambas por 3 x 1) sobre o Sport e o Juventude.
Você conversa com os jogadores e ouve sempre o mesmo discurso, o de que "somos um time competitivo, objetivo, que sabe o que quer e conhece suas limitações".
No futebol brasileiro de hoje, ainda que alguns são-paulinos tenham como projeto de vida estar sempre descontentes com seu time, é fantasia pedir muito mais do que isso.
Há também um técnico que aprendeu, bem cedo, que no final das contas o que importa é o trabalho que se faz todos os dias.
No campo, no vestiário, não na frente das câmeras de televisão.
Sim, quiseram trocá-lo, não faz muito tempo. Ele sabe disso.
Mas Muricy ainda está lá. Com muita vontade, suspeito, de mostrar que teria sido um erro.
É dele a melhor definição do melhor time da primeira metade do campeonato.
"Temos que fazer tudo igualzinho ao que fizemos até agora, e eu vou encher o saco deles para que nada mude. Não pode ficar achando que está tudo ótimo, que é um baita time, porque não é não..."
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Nos Estados Unidos, o estudante universitário que pegou a bola do "home run" número 500 da carreira do rebatedor Alex Rodriguez, quer ficar famoso.
Não só ainda não mandou a bola de volta para o New York Yankees, como está fazendo jogo duro nas negociações.
Um "representante" do rapaz está ligando para jornais e emissoras de televisão pedindo dinheiro para entrevistas e fotos. O que ele teria para contar? Como foi difícil pegar uma bola que voou para fora do campo?
É por isso que auxiliar de arbitragem tem assessor de imprensa, socialite que quer ser cantora tem assistentes "para relações com a mídia", e ficamos sabendo quando participantes do BBB trocam de pasta de dente...
O vice-presidente de futebol do Corinthians, Rubens Gomes (aquele que disse que o time brigaria pelo título brasileiro, e depois falou que foram os jogadores que disseram), entregou seu cargo ontem.
O gerente de futebol remunerado Ílton José da Costa foi demitido.
O Corinthians, acredite se quiser, está melhor sem eles.
Mas há uma informação estranha no comunicado emitido pelo clube, sobre as mudanças na diretoria. O de que Renato Duprat não participa, de nenhuma forma, das decisões ligadas ao futebol.
Então o que ele faz, com notável frequência, na casa do presidente (afastado, investigado pela Justiça) Alberto Dualib?
"O Ultimato Bourne", que estréia nos cinemas brasileiros no próximo fim-de-semana, tem batido recorde atrás de recorde de bilheteria.
Não vi (é lógico), mas gostei. Se fizerem dez, verei todos.
Ganhei meu presente de Dia dos Pais, adiantado, anteontem. Cena inesquecível.
Hoje, quero desejar felicidades a todos os que sabem o que eu senti quando minha filha chegou com um pacote na mão e disse "esse é o presente
de você."
Especialmente, claro, ao meu pai.
JK, a cada dia que passa, é uma honra maior conhecê-lo.
Seu Orestes e Dr. Escorel, igualmente.
Feliz domingo dos pais a todos.
enviada por André Kfouri
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(O que é isso?)