23/08/2007 09:57
20 ANOS
Eu me lembro como se fosse hoje.
Na sala de TV da casa da minha avó Luiza, tarde de domingo.
No último dia dos Jogos Pan-Americanos de 1987, o Brasil disputa a final do basquete com a Seleção Americana.
Perde o primeiro tempo por 14 pontos. Vê a diferença subir para mais de 20 no começo do segundo. Ganha o
jogo e a medalha de ouro por 120 a 115.
Oscar marca 46 pontos, com mais ou menos uns 80 arremessos da linha dos três. Marcel marca mais 31, e abraça o poste da tabela após uma bandeja.
Os jogadores choram na quadra, e eu no sofá. Foi uma das primeiras vezes em que me emocionei com o esporte. Uma das primeiras de muitas, ainda bem.
Quinze anos depois, durante o Campeonato Mundial de 2002, na mesma Indianápolis, levei Oscar ao lugar em que ele talvez tenha feito a partida que define sua carreira.
O Market Square Arena, antigo ginásio do Indiana Pacers da NBA, já não existia mais. Transformou-se num estacionamento.
Ali, no meio dos carros, Oscar falou sobre aquela tarde de domingo.
A dificuldade do primeiro tempo, as caixas de champanhe que os jogadores brasileiros viram entrando no vestiário dos americanos, a sensacional reação, o transe que o impediu de errar um arremesso.
Claro que Oscar chorou. Acho que só fiz duas perguntas. Ele falou por uns quinze minutos.
Vinte e três de agosto de 1987. Faz exatamente 20 anos, mas eu me lembro como se fosse hoje.
Parabéns para quem fez. Sorte de quem viu.
enviada por André Kfouri
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(O que é isso?)