BLOGOL Kfouri
24/07/2007 17:03

RICARDINHO NÃO FOI CORTADO

Como todo mundo que viu a estréia da Seleção Brasileira masculina de vôlei, ontem, contra o Canadá, observei o comportamento dos jogadores e do técnico Bernardinho.

Como quase todo mundo, vi um time mais tímido em quadra, e um técnico mais contido à beira dela.

Parecia que os jogadores, e Bernardinho, estavam, assim como nós, observando os mesmos sinais.

Pode ter sido uma observação (a nossa) "contaminada", fruto do que se disse, e do que não se disse, sobre o corte do levantador Ricardinho.

Quase uma auto-sugestão.

Pode. Mas prefiro acreditar que este fantástico time (um time que nos dá orgulho e deixará saudades, exatamente como o time de Barcelona '92) está, mesmo, diante de um obstáculo que não pode ser subestimado.

Pelo que sei, Ricardinho tem fortes e antigos relacionamentos pessoais com muitos de seus companheiros de Seleção. Nesse Time (com T maiúsculo, como é o caso), palavras como "família" e "união" não são demagogia. É preciso que sejam realidade, num grupo que vive sob um regime de treinamento tão exigente, que passa tanto tempo longe de casa, e que vence tanto.

E pelo que todos sabemos, Ricardinho é um dos melhores jogadores do mundo. Faz parte da incrível linhagem de levantadores brasileiros, como William e Maurício.

Ele não é uma pessoa e um jogador descartáveis, no sentido de que não se pode tirá-lo de um grupo e esperar que a mudança passe despercebida. Na quadra.

A questão é que não saberemos quais foram, quais são, os motivos que levaram ao corte. Ricardinho não falará, Bernardinho também não, e os jogadores também não. Pelo menos não publicamente.

Podem ser todos os que têm aparecido por aí (stress, desobediência, disputa de poder, insubordinação, questões financeiras).

Pode ser algo que permanecerá interno.

Mas não é preciso saber para concluir que Bernardinho fez o que fez para resolver um problema pontual, de momento. Pois na opinião dele, seria impossível ganhar a medalha de ouro pan-americana (único título que esta Seleção não tem) com Ricardinho.

Será possível sem ele?

Esta é a pergunta central. Dos adversários, o time americano é o segundo mais perigoso.

O primeiro, por ironia, é Ricardinho.

Os jogadores disseram ontem que, se ganharem a medalha, Ricardinho também terá ganho.

O que prova que, mesmo cortado, ele ainda está presente.

Nunca um torneio pan-americano de vôlei foi tão interessante.


enviada por André Kfouri






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