12/07/2007 22:05
CONVERSANDO COM O "INIMIGO"
O colega argentino, repórter de jornal, tem um jeito de se vestir que pode-se classificar como "relaxado".
No bom sentido. Camiseta, bermuda, tênis. Está cobrindo a Seleção Brasileira desde o início da Copa América, mas nunca conversamos.
Na sala reservada para uma janela de imprensa com quatro jogadores da Seleção, corre o boato de que a Argentina fará uma entrevista coletiva com dois.
Localizo o companheiro para me certificar. "Ligue antes para o chefe de imprensa", ele diz, já sacando o celular para me passar o número. "Ouvi falar que será logo depois do almoço, mas é bom você confirmar porque as coisas lá não são tão organizadas..."
Anoto o telefone, enquanto ele me aconselha a insistir nas ligações. Parece que é difícil encontrar o assessor argentino.
"Você é o quê do
Chuca?", pergunta o camarada.
Não entendi.
Ele aponta para a minha credencial. "Você é o quê do
Chuca Kfouri, tem o mesmo nome..."
Ah, sou filho dele. E ele me estende a mão dizendo que é um fã.
Mundo globalizado...
Disco para o número de Andrés Ventura, chefe de imprensa da Seleção Argentina. Boa tarde, sou repórter da ESPN Brasil, o senhor já tem o horário da entrevista dos jogadores?
"Não. Não posso lhe garantir o horário porque será logo depois do almoço."
E que horas vão almoçar?
"Às 13h30."
O companheiro argentino, leitor de
Chuca Kfouri, quebra mais uma nos ensinando a chegar ao hotel. A Seleção Argentina está muito, mas
muito melhor hospedada do que sua adversária na final da Copa América. O mesmo já tinha acontecido com o México, que também ficou algum tempo em Puerto La Cruz.
Estranho, não?
Outro detalhe interessante: as famílias dos jogadores estão hospedadas no mesmo hotel. Quem não é casado pôde trazer a namorada.
Os argentinos também jogam na Europa, também estariam em férias se não estivessem aqui. Um mês na Venezuela talvez não seja o ideal de férias deles, mas, pelo menos, estão dormindo com suas mulheres e brincando com seus filhos.
Passo a gostar mais de Alfio Basile ao ver Juan Verón se divertindo na piscina com duas crianças.
A entrevista coletiva, com o lateral Javier Zanetti e o zagueiro Gabriel Milito, começa às 14h15.
Andrés Ventura dá início aos trabalhos. E pede, encarecidamente, que apenas sejam feitas perguntas relacionadas à Seleção Argentina de futebol. Nada de questões sobre jogadores trocando de clubes na Europa.
A imprensa brasileira, maioria na sala, domina a coletiva.
Zanetti e Milito respondem, de forma bem elaborada, às mais variadas questões.
Até aquelas em que repórteres brasileiros, sem a devida fluência na língua espanhola, teimam em usá-la.
Cena cômica, porém comum.
Politicamente corretos, os jogadores elogiam a Seleção Brasileira. Mostram uma clara preocupação com a repercussão do que dizem, por isso nem mesmo reconhecem que quem mostrou o melhor futebol nesta Copa América até agora foi a Argentina.
Mas dá para ver em seus olhos: eles estão loucos para ganhar no domingo.
enviada por André Kfouri
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(O que é isso?)