BLOGOL Kfouri
02/07/2007 02:03

COLUNA DOMINICAL
(já na madrugada de segunda... loooooongo dia)

Três a zero faz a gente pensar num grande jogo.

Não foi isso.

Faz a gente pensar em um time sendo dominado por outro.

Também não foi.

A vitória do Brasil sobre o Chile foi construída pelo brilho de um jogador talentoso, no final do jogo. Os gols do segundo tempo saíram aos 38 e aos 42 minutos.

Antes disso, o Brasil vencia por 1 a zero, resultado que talvez nem merecesse, produto de um pênalti tolo cometido em Vágner Love.

Não é preciso ter olhos de lince para ver isso.

Assim como não é necessária visão além do alcance para perceber que Dunga se enganou ao analisar a postura dos chilenos no jogo.

O técnico da Seleção disse, duas vezes na entrevista coletiva, que o Chile "usou duas linhas de quatro jogadores, que não davam espaço..."

Planeta Terra para Dunga: o time de Nelson Acosta jogou com três zagueiros, um líbero. Em nenhum momento da partida houve quatro defensores em linha.

Picuinha de jornalista? Pode ser. Mas um técnico que transforma suas entrevistas coletivas num jogo em que ele "entra para dividir" em todas as bolas, não pode dar esse tipo de espaço para "o adversário".

Está pedindo para levar o contra-ataque.

Mas esse, claro, não é um grande problema. O fato de o Brasil não ter conseguido superar, como equipe, um time ruim como esse do Chile é que é.

E não se deve esperar que a Seleção supere, coletivamente, nenhum adversário nesta Copa América. Como Dunga diz, não é em 10, 15 dias que se conseguirá dar padrão de jogo a um time.

A atuação de Robinho foi do tipo que sempre se cobrará de jogadores superiores.

E do tipo que a Seleção Brasileira depende hoje.

******

Um jornalista brasileiro conseguiu, com uma pergunta, fazer as metralhadoras desaparecerem dos treinos do Brasil.

Bob Fernandes não é mágico ilusionista, mas entende como poucos por que a Venezuela é como é, e escreve crônicas com um talento ainda mais raro.

Ao terminar aqui, vá ao blog dele. E repita o caminho todos os dias.

Na minha casa, conta-se que eu ficava na frente da televisão quando meu pai aparecia durante coberturas longas, e o chamava, imaginando que ele podia me ver.

Eu obviamente não lembro.

Esses dias, soube que minha filha fez exatamente isso ao me ver durante uma entrada ao vivo, aqui da Venezuela.

E obviamente não vou esquecer.

O sonho da imprensa brasileira está se realizando: a classificação do Brasil em segundo lugar no Grupo B.

Assim, a Seleção ficaria em Puerto La Cruz para o jogo das quartas-de-final, e jogaria a semifinal em Maracaibo, sede também da decisão.

E se perder a semifinal, o Brasil jogaria pelo terceiro lugar em Caracas, porta de saída para o Brasil.

Para o time, esse caminho também seria o melhor negócio. Menos viagens e adversários teoricamente mais fracos.

Antes de pegar a estrada para Maturín, paramos num posto para reabastecer pela primeira vez desde que chegamos.

A conta deu 4.400,00 bolívares. Mais ou menos 2 dólares, para
encher o tanque de um Ford Focus.

Paga-se mais por uma cerveja, sem brincadeira.


enviada por André Kfouri






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