09/07/2007 03:05
COLUNA DOMINICAL
(com o perdão pelo horário. Dia difícil...)
Há dias, em coberturas longas como essa, em que você acorda de manhã e diz:
isso não vai dar certo...
Acontece com quase todo mundo, mais ou menos na mesma época, lá pela terceira semana.
É uma mistura de cansaço físico (por noites mal dormidas), cansaço mental (por dias e dias sob pressão) e um torpor causado pela mesma rotina, mesmo cenário, mesmos horários, mesmas atividades, mesmas pessoas...
Você começa a se sentir um robô.
Não há folga, de nenhum tipo, em coberturas assim. E quando se trata de Seleção Brasileira, existe sempre a possibilidade de algo acontecer a qualquer momento.
Você arma sua "rede de contatos", com telefones de pessoas com quem se relaciona bem e nas quais confia, para não ficar descoberto em determinados momentos.
Antes de ir jantar, checa se está tudo bem. Durante o jantar, checa se algo mudou. Depois do jantar, checa se pode ir dormir.
O resultado é que você não desliga.
Jornalistas lidam de maneiras diferentes com os efeitos das longas coberturas. Alguns ficam doentes, chatos, agressivos, deprimidos.
Na maioria dos casos, a pior fase passa rápido, dois ou três dias.
Mas é preciso ter um plano para conter o impacto desse perídodo no trabalho, já que (exceção feita às doenças) não há nenhuma razão para deixar de entrevistar pessoas, escrever reportagens, ser um profissional.
O meu plano é reconhecer o dia ruim, manter a calma e ficar quieto.
Desenvolvi essa estratégia durante a Olimpíada de Sydney, quando a ESPN Brasil tinha uma redação relativamente pequena no Centro de Imprensa, e as pessoas ficavam se esbarrando o dia inteiro. O atrito, literalmente físico, só piorava as coisas. Decidi que não ia discutir com ninguém, e (quase) consegui.
Na última Copa do Mundo, os 53 dias de cobertura transcorreram sem
nenhum problema.
Hoje, aqui em Puerto La Cruz, acordei de manhã e disse:
isso não vai dar certo...
Mas deu, fiquei quieto.
Amanhã será um novo dia.
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Ei, sabe quem é Mirthala Salinas?
É a apresentadora da rede hispânica Telemundo, nos Estados Unidos, que levou o jornalismo a uma nova era na semana passada.
Salinas merece um prêmio. No último dia 3, o prefeito de Los Angeles, Antonio Villaraigosa, anunciou que estava se divorciando de sua mulher, após 20 anos de casamento.
A apresentadora deu a notícia em seu programa de televisão, no mesmo dia.
Só não informou os telespectadores que
ela era o motivo do divórcio...
Foi suspensa, coitadinha.
Um dia, daqui a uns 30 anos, poderemos dizer que vimos um cara chamado Roger Federer jogar tênis.
E seremos invejados pelo privilégio.
Não há mais discussão. Estou convencido, definitivamente, de que Juan Román Riquelme é um jogador comum.
Ele é
comum extra-terrestre.
O gol do chileno Suazo, contra o Brasil, poderá ser superado em beleza nesta Copa América.
Mas não em maldade.
Falei com minha filha, ontem, por telefone.
E redescobri o significado da expressão "aperto no coração".
Mas não sou o único.
Um camarada meu, repórter da TV Globo, diz que o filho de 8 meses olha para a televisão quando alguém diz "papai".
Calma, está quase no fim.
Estreou no mês passado, no Uol,
o Blog do Fininho, de Fernando Meligeni.
Você provavelmente já sabe disso, porque está fazendo o maior sucesso.
Meligeni é uma das melhores pessoas que a minha profissão me propiciou conhecer.
Se você gosta de tênis, como eu, e gosta de ler gente que sabe do que está falando, tenha o endereço entre os seus favoritos.
enviada por André Kfouri
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(O que é isso?)