BLOGOL Kfouri
14/07/2007 20:43

CAIXA-POSTAL

A última feita aqui na Venezuela...

Aos temas da semana:


Vinícius escreve: Sei que é inocência de minha parte, mas sempre achei o esporte um ambiente para atitudes nobres. Me incomoda muito o fato ocorrido na classificação do Brasil para a final da Copa América: todos atribuíram ao juíz a responsabilidade de mandar repetir a cobrança (é claro que era o correto a fazer), mas ninguém questionou a atitude do Doni em se adiantar, alguns até lhe deram o status de héroi. Infelizmente em todas as esferas da sociedade o que vale não é seguir as leis e os princípios, e sim não ser pego corrompendo-os. Gostaria da sua opinião.

Resposta: Sobre a nobreza dos gestos, assino embaixo do que você escreveu. Mas não acho que isso se aplica a um goleiro que se adianta. Para mim, a responsabilidade é da arbitragem, sim. Estou de acordo com você nos lances em que se tenta enganar o árbitro. Gols com a mão, pênaltis cavados, etc. E também em casos em que se tenta levar vantagem de um problema do adversário, como marcar um gol num lance em que um jogador se machucou e ficou caído no chão. Já houve, no Campeonato Inglês, um jogador que simplesmente não deu sequência à jogada (o goleiro e o zagueiro trombaram, machucaram-se, e o gol ficou aberto). Isso é fair play. Mas o goleiro se adiantar na cobrança de pênalti é diferente. Ele não está querendo enganar ninguém, o assistente e o árbitro estão ali para marcar.

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Aline escreve: Você acha que o Vágner Love, com apenas um gol na Copa América, pode ser o homem de referência no ataque? Por outro lado, quem seria melhor no lugar dele?

Resposta: O Vágner Love deveria ter mais gols marcados nesta Copa América. Perdeu algumas chances que normalmente não perderia. Mas acho injusto julgar um jogador que está atuando fora de sua posição. O que se pede a ele na Seleção (jogar muitas vezes de costas para o gol) não é o que ele está acostumado a fazer. Como já escrevi, gosto mais da formação do segundo tempo do jogo contra o México (Robinho recuado, Vágner Love e Afonso no ataque), e acho que ele renderia mais jogando dessa forma. Falando sobre o Vágner, você viu a declaração do Joseph Blatter (presidente da Fifa) sobre ele? Perguntado sobre os jogadores que ele mais gostou de ver na Copa América, Blatter falou do argentino Messi e "do atacante da Seleção Brasileira que se chama 'Amor'".

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João Luis escreve: Sobre entrevistas em outras línguas, assunto que você comentou outro dia, como fazer quando não existe possibilidade do jogador entender português, e você não fala a língua dele?

Resposta: Boa, João Luis. Estava esperando esta pergunta. Escrevi anteontem que é um mico um jornalista brasileiro tentar falar espanhol, sem ser fluente, ao entrevistar um argentino. Argumentei que a pergunta tem de ser feita em português, que o cara entende. O motivo é o compromisso do jornalista com o público dele, o correto uso da linguagem, sem maus exemplos. Isso vale para entrevistas coletivas, nas quais muitos veículos têm acesso ao mesmo conteúdo. Vale também para entrevistas exclusivas, ao vivo, que não podem ser editadas. No caso de uma entrevista coletiva com um jogador francês, por exemplo, na maioria das vezes há um tradutor para permitir a participação de quem não fala francês. É assim na Copa do Mundo, na Olimpíada. Agora, naqueles encontros em que se faz uma entrevista exclusiva gravada, sem tradutor, você tem de se virar para conseguir o que precisa. Já entrevistei Michel Platini perguntando em inglês e ele respondendo em francês (depois tive de achar alguém para traduzir o que eu não entendi). Na última Copa, fiz três perguntas ao ex-jogador italiano Bergomi, falando um pouco de italiano, um pouco de espanhol, fazendo mímica... e ele foi muito gentil ao se esforçar para entender. Nesse caso, como a pergunta não vai ao ar, não há muitos problemas em não falar corretamente a língua.

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Cícero escreve: Você vai trabalhar pela ESPN nos Jogos Pan-Americanos?

Resposta: Não, não vou para o Pan. Seria difícil emendar um mês na Venezuela com mais duas semanas fora, mesmo com a proximidade entre Rio e São Paulo. Eu obviamente não tomo essas decisões mas, pelo que sei, ficarei por conta do Campeonato Brasileiro e do programa que terei de fazer sobre a Copa América. E dormindo na minha casa, o que é o mais importante.

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Gracias, amigos. Continuamos a conversa no sábado que vem.

"Coragem é resistência ao medo, controle do medo. Não ausência de medo."

MARK TWAIN, escritor americano


enviada por André Kfouri






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