11/07/2007 19:05
A IMPRENSA TORCE
Tenho participado, da cabine, das transmissões da ESPN Brasil.
Lá pelos 30 minutos do segundo tempo, desço para o gramado para fazer as entrevistas logo depois do jogo.
Eu estava lá embaixo, na hora das cobranças de pênaltis, ao lado do Mauro Naves e do Eric Faria, da TV Globo, e do Fernando Fernandes, da TV Bandeirantes.
Quando Fernando perdeu a cobrança, a mesma coisa passou pela cabeça de todos:
"Que ótimo... vamos ter de ir a Caracas."
A possiblidade de fazer as malas de novo, entrar em outro avião, chegar a outra cidade e a outro hotel, e toda a complicação de ter de aprender os caminhos num lugar desconhecido era assustadora demais.
Muito mais assustadora, diga-se de passagem, do que a própria derrota do Brasil.
Sei que é difícil de acreditar, mas apesar de todos termos nossos times de coração, nossas preferências esportivas, jornalistas torcem para o que lhes é mais conveniente.
Alguns torcem para ter de trabalhar pouco, outros torcem para cenários que signifiquem histórias melhores.
Um exemplo: no Campeonato Mundial de Basquete de 2002, em Indianápolis, o Dream Team americano foi derrotado pela primeira vez (acabou perdendo 3 jogos na competição). No jogo contra a Argentina, que quebrou a invencibilidade dos americanos, minha torcida para o resultado inédito era total. Era a minha chance de ver um momento histórico.
Mas quase todos os jornalistas que eu conheço torcem, especialmente em viagens, para o menor número de complicações.
Por isso o segundo lugar no Grupo B desta Copa América foi comemorado. Garantiu mais uma semana em Puerto La Cruz, onde todos já estavam "adaptados".
E por isso ninguém queria ter de ir a Caracas.
A imprensa brasileira secou o volante Pablo Garcia com
todas as forças, e vibrou com o chute na trave.
Mais cinco dias em Maracaibo. E daqui para casa.
enviada por André Kfouri
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(O que é isso?)