22/06/2007 20:20
O EXPRESSO DA IMPRENSA
Hoje fui me credenciar.
O escritório da organização não fica em Puerto La Cruz, mas sim na vizinha Barcelona. Perguntei na recepção do hotel se alguém podia me explicar como chegar ao local.
Olhares do tipo nem-queira-saber me fizeram mudar de idéia.
Achei melhor ir com o ônibus que boa parte dos jornalistas brasileiros está usando. O motorista foi solicitado por um grupo de umas quinze pessoas.
"Sabe onde é? Então vamos".
O escritório é pequeno, especialmente para credenciar a quantidade de gente que veio do Brasil atrás da Seleção. Chegamos lá pelas 10h15, já com pressa. Dunga falaria na hora do almoço, o processo ali teria de ser rápido.
Impossível. Um soldado
(sim, um oficial do exército venezuelano), chefe dos trabalhos, disse que o software estava sendo inicializado, que teríamos de ter um pouco de paciência.
As credenciais puderam ser solicitadas pela internet, com envio de fotos escaneadas. Em tese, era só mostrar o passaporte, assinar um papel, e tchau.
Mas a equipe local preferiu trabalhar de forma mais cadenciada. Passou uma lista para ser preenchida com os nomes dos jornalistas brasileiros, que seriam chamados de três em três.
Na segunda vez que uma moça veio perguntar se o pedido tinha sido feito usando o nome do meio ou o último nome... vimos que aquilo não daria certo.
Tentamos explicar que as credenciais já deveriam estar prontas, que Dunga já deveria estar indo para a sala de entrevistas. E que, se perdêssemos a coletiva, deveríamos ir embora para o Brasil. Ou para Isla Margarita...
"Senhor, sente-se, espere um pouco, quer uma água?"
Não restou outra alternativa a não ser
abrasileirar o lugar.
Na salinha onde deveria haver três, entraram quinze. Um colega serviu de intermediário entre nós e os organizadores. Sob os olhos atentos do chefe, que só não gostou quando os decibéis subiram um pouco,
todas as credenciais estavam entregues em quinze minutos. Um fenômeno.
Mas a situação era dramática. Meio-dia, e ainda estávamos lá. Enquanto alguns disparavam ligações para a assessoria de imprensa da CBF, e outros, bem-humorados, sugeriam um almoço mais relaxado, uma idéia surgiu.
Batedores.
O pessoal da organização não viu nenhum problema, e duas motos limparam o trânsito à nossa frente.
Nas ruas, as pessoas viam um grande ônibus vermelho com o logotipo da Copa América e deviam pensar que era a Seleção Brasileira.
Quem é que vai dizer que não era? Tinha batedor e tudo...
enviada por André Kfouri
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(O que é isso?)