05/06/2007 09:50
CULTURA DE ESTRADA
Comprei o livro de Alessandro Del Piero anteontem, numa parada durante a viagem de carro de Lucca para Milão.
Estava na hora do almoço e precisávamos encher o tanque. Só não sabíamos aonde parar.
As cadeias de sanduíches e pizzas eram a opção mais fácil, mas a decisão de comer algo à italiana, e não à americana, já tinha sido tomada.
Até que vimos vários carros dando seta para a direita, para tomar uma saída que dava acesso a um posto de gasolina onde havia um restaurante chamado Fini Grill.
Eu sou o último cara a querer fazer propaganda de alguma coisa aqui, mas o lugar merece a menção.
De um lado, todos aqueles sanduíches de frios, nos mais variados tipos de pão. Do outro, um típico "bandeijão" com duas opções de massa, duas opções de carne, e saladas prontas.
Tínhamos passado uma semana comendo espetacularmente bem, no país onde melhor se come no Sistema Solar, de modo que deu para fazer uma comparação precisa.
Para um restaurante de beira de estrada, é um assombro.
Claro que o lugar estava cheio, mas conseguimos uma mesa bem perto de uma televisão. Olhei em volta e percebi que
todo mundo estava bem interessado na programação. Com volume alto, a transmissão do Grande Prêmio da Itália de MotoGP tinha até torcida.
A vitória de Valentino Rossi no circuito de Mugello (com o brasileiro Alex Barros em terceiro) foi comemorada com aplausos e abraços pelos italianos. Foi um desses momentos que nos inserem na vida cotidiana de um país, que você observa como se não estivesse ali, para não estragar a cena.
Que sorte.
Mas voltando ao livro de Del Piero, chama-se "10+, Il Mio Mondo in Un Numero".
Não sou fluente em italiano, mas estou me virando bem, com a ajuda da minha mulher e do dicionário. E estou gostando.
Não é uma auto-biografia, apesar de recuperar a infância e a juventude do autor em vários momentos. Tem boas passagens sobre o tetra da Itália no ano passado, com especial carinho pela semifinal contra a Alemanha, em Dortmund, e, claro, a final contra a França, em Berlim
(tive o privilégio de cobrir os dois jogos, a final foi linda. Mas guardarei os 120 minutos da semifinal como um momento mágico e inesquecível, pelo magnífico Westphalen Stadion - chamado pelos alemães de "Ópera do Futebol" -, pelo jogo tenso e disputado por dois rivais tradicionais, e pela explosão dos italianos com os gols de Grosso e Del Piero. Eu estava sentado exatamente na direção da linha da grande área onde os gols saíram, até hoje agradeço pelo ângulo perfeito.).
A cada capítulo, aparece a relação com o número 10, na forma de rankings pessoais de Alessandro. Os 10 gols mais bonitos, os 10 estádios preferidos, os 10 dias mais importantes, os 10 pratos prediletos, até os 10 jogadores com os quais ele gostaria de ter atuado (Ronaldo, Ronaldinho e Kaká estão na lista, que só tem jogadores contemporâneos do autor).
Del Piero também fala sobre a experiência de ser campeão do mundo e, logo depois, ter de jogar a Série B italiana por causa da punição sofrida pela Juventus. E não economiza no amor e no orgulho por vestir a camisa alvi-negra.
Eles aparecem até na forma interessante como o autor se identifica, na contra-capa do livro:
"Alessandro Del Piero, nascido em Conegliano Veneto, em 9 de novembro de 1974, é o capitão da Juventus."
enviada por André Kfouri
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