24/06/2007 21:17
COLUNA DOMINICAL
Desde que acompanho a Seleção Brasileira, há dez anos, nunca foi tão trabalhoso cobrir um treino.
Aqui em Puerto La Cruz, chegar ao local onde o time vai treinar é apenas o começo da aventura.
O esquema de segurança que protege os jogadores não estava totalmente pronto no primeiro dia. Carros com jornalistas puderam seguir o ônibus desde a saída do hotel, como se fizessem parte do grande comboio militar que se formou. Também puderam estacionar em ruas de terra que ficam em volta do pequeno estádio.
O campo fica dentro de um velho complexo esportivo que virou um enorme canteiro de obras, por causa da construção do Estádio General José Anzoátegui, uma das sedes da Copa América.
É permitida a entrada pelo portão principal, mas não se pode ir muito além dele. De carro ou à pé, é preciso parar num bloqueio de segurança, de onde saem vans levando os jornalistas para o destino final.
Nas duas vans que fazem o trajeto, viajam dois homens da Guarda Nacional Venezuelana em todos os momentos.
A área de imprensa, no campo, fica embaixo da arquibancada. Ela também é vigiada por soldados armados com fuzis e metralhadoras, sempre bem visíveis. Outros soldados cercam o gramado, o espaço entre eles nunca superior a dez metros.
A chegada da Seleção é um verdadeiro espetáculo. Primeiro, os carros e jipes que vão na frente aparecem em alta velocidade, avisando com estardalhaço que o ônibus está próximo. Após o último portão, o veículo, em baixíssima velocidade, é acompanhado por seguranças que correm dos dois lados, no melhor estilo presidencial. É como se o momento do desembarque fosse de alto risco.
É comum ver os policiais apontando aos jogadores o caminho para o vestiário.
O número exato é confidencial, mas fala-se que cerca de 5 mil homens da Guarda Nacional estão envolvidos no plano de segurança da Copa América. Um Capitão-de-Corveta da Marinha Venezuelana e um chefe de polícia local cuidam da proteção à Seleção Brasileira, enquanto ela estiver no país.
No começo, achei tudo um grande exagero. Mas é óbvio que sei muito pouco a respeito das questões de segurança nas cidades venezuelanas.
Tanta proteção aos jogadores acaba interferindo e dificultando a cobertura, mas acostuma-se, mesmo porque será assim até o final.
Só não quero ver este esquema todo em ação.
******
Hoje finalmente foi um dia "fresco" por aqui. Chegou a 34 graus, por causa do mormaço.
Agradável.
Meu diálogo com Gilberto Silva, anteontem:
"O Henry já te ligou para se despedir?"
"Não... eu tô achando que ele vai ficar."
"Vai nada, foi para o Barcelona."
"É mesmo? Então o bicho tá pegando no Arsenal..."
A área em volta do hotel (parecida com o Largo da Batata, em São Paulo) tem dois ou três restaurantes que eram os favoritos dos jornalistas brasileiros.
Até que se descobriu a região de Lecheria, que pode ser chamada de "bairro nobre". Agora só se fala português num shopping à beira-mar e em sua praça de alimentação.
Quem está lucrando de verdade com a imprensa brasileira é o dono de um quiosque de produtos de informática que fica num centro comercial, em frente ao estádio.
A procura por placas de acesso à internet móvel para laptops cresceu assustadoramente, depois que o repórter Rodrigo Vessoni, do Diário Lance! descobriu o local.
O cara vendia duas placas por semana, em média. Vendeu 30 nos últimos cinco dias.
Finalmente, parabéns ao meu camarada Mauro Naves, da TV Globo.
Quarenta e oito anos neste domingo. Longe de casa, mas perto dos amigos.
enviada por André Kfouri
Feed: Seja avisado quando este blog for atualizado ::
(O que é isso?)