30/06/2007 13:07
CAIXA-POSTAL
Se eu quisesse postar quinze mensagens sobre o mesmo assunto nesta semana, seria mole. Impressionante a repercussão da história sobre uma misteriosa entrevista de um jogador gay para o "Fantástico".
Começamos por ela.
Paulo (entre muitos) escreve: O que você acha de um jogador de futebol "sair do armário"? Não seria uma atitude arriscada, por causa do preconceito?
Resposta: Não sei se "arriscada" é a palavra certa, mas certamente o cara precisaria ter muita personalidade para fazer isso. O fato de o futebol ser um esporte coletivo é um complicador, pois o caso todo geraria reflexos no trabalho de outras pessoas. Num esporte individual, é cada um por si. Essa história circula nos bastidores, em São Paulo, há uns bons dois meses. Creio que a imprensa esportiva nunca tocou no assunto por se tratar de algo estritamente pessoal. Ninguém tem nada a ver com isso. Se acontecer, será um fato importante, sem dúvida. E acho que "puxaria" outros, porque não há nenhum motivo para acreditar que o homossexualismo no futebol é diferente do de outras áreas da sociedade. Cada um sabe da própria vida e deve tomar as decisões que achar que tem de tomar.
******
Adriano escreve: Antes do jogo
(Brasil e México), esses jogadores foram para o estádio fazendo a maior festa. Você sabe me dizer se eles saíram do estádio fazendo festa também? Porque o que eles sabem fazer é batucada antes de treino, antes de jogo... Isso não deveria ser permitido, eles têm que ficar todos concentrados no jogo. Onde já se viu isso?
Resposta: Calma, Adriano. Trata-se de um costume na rotina dos times de futebol. A Seleção de 82 fazia isso (lembra do "voa Canarinho, voa...") e era um timaço. A Seleção campeã do mundo em 2002 também fazia. Isso não tem nada a ver com irresponsabilidade ou desconcentração. Não vi o time saindo do estádio depois da derrota para o México, mas aposto que ninguém estava fazendo batucada no ônibus.
******
Jorge Luis escreve: Como é mesmo o nome do livro de um jornalista inglês, que explica as coisas que acontecem no mundo, pela ótica do futebol? Você já falou dele no blog...
Resposta: "Como o Futebol Explica o Mundo". O título original é "How Soccer Explains the World: An Unlikely Theory of Globalization". O autor é Franklin Foer, jornalista americano, não inglês. Quem gosta de futebol e não leu, deveria. O livro é ótimo.
******
Luiz escreve: O Fred não andava meio desanimado aí na Venezuela? Vi uma entrevista dele e achei isso. Você, que está aí, percebeu alguma coisa?
Resposta: Percebi. A mesma coisa que você. O Fred machucou o tornozelo e foi se tratar no Cruzeiro, justamente porque queria muito jogar a Copa América. Foi convocado e, nos treinos, ficou claro que a escolha de Dunga era o Vágner Love. Ele realmente parecia abatido. Eu até acho que ele entraria no time mais cedo ou mais tarde, mas posso estar errado. Infelizmente essa opção não existe mais. O Fred é um cara de quem todo mundo gosta, uma pena ele ter se machucado.
******
Antonio escreve: André, morei 8 anos na Venezuela e conheço essas cidades onde o Brasil vai jogar. Tenho visto você falar do calor. Prepare-se para Maturín, é pior do que você imagina.
Resposta: Obrigado pela informação. Pela previsão que vi na internet, teremos uns 35 graus na tarde de domingo, na hora do jogo. E pelo que tenho ouvido das pessoas aqui em Puerto La Cruz, Maturín é um lugar ainda mais úmido. Estou preparado, até já comprei essência de eucalipto...
******
Gracias, amigos. Até o próximo sábado.
(mensagens para a CAIXA-POSTAL do Blogol: bligol@ig.com.br ou pelo link do lado direito da página)
"O maior prazer de um homem inteligente é bancar o idiota diante de um idiota que banca o inteligente."
CONFÚCIO, pensador chinês
enviada por André Kfouri
Feed: Seja avisado quando este blog for atualizado ::
(O que é isso?)